Talvez Amor

Está aí a rodar, feito “meme”, esta extraordinária actuação da velha Aretha, já septuagenária mas ainda e sempre Rainha.

Na minha terra, importadora de agendas ideológicas, saiu a lei da importunação sexual, vulgo piropo. Fruto da agenda do género (sub-espécie do identitarismo), aquilo que restou à esquerda europeia amputada por enquanto do projecto Terror Homicida que tanto acalentaram e (ainda) sonham.

Para esta sociedade, a democrática, são os gauchismes sempre adversos a qualquer deriva autoritária, qualquer protecção da propriedade pública ou privada ou de valores comunitários ou do funcionamento das instituições democráticas. Sobre tudo isso erguem o “contexto”, a “assimetria sociológica”, agora a “globalização”, como motivo das que dizem sempre meras prevaricações. Desses “contextos” da “agencialidade” dos (?)transgressores(?) fazem germinar explicações em formato “sociologês”. Incrementar a repressão sobre os desapossados? Nunca, que isso é fruto do malévolo “Vigiar e Punir” denunciado por aquele francês adepto das teologias fascistas mas que escrevia bem o seu delírio pancrático.

Para tudo o que os (malvados) conservadores (ditos fascistas) pedem maior peso autoritário se opõe a vontade regeneradora, o esforço do Estado e da sociedade, para a educação, a formação, a integração, a pedagogia, aquilo do “optimismo pedagógico” que se quer identitário da esquerda d’hoje. No fundo tudo isso é hiper-conservador mas parece bem … Mas agora botam uma lei sociologicamente marcada, vituperando o linguajar da “classemédiabaixa”, o povoléu que trata as burguesas (as mulheres da classemédiamédia) sem respeito, e grita-lhes que se as pudesse foder fodia-as. Ora isso é inaceitável, tanto que o “pedagogismo” e o “sociologismo” cai por terra. Toca de colocar a lei ao serviço da bela causa e de prender os energúmenos que refiram em grito a sua desvairada incapacidade para copular as mulheres alheias (as da que lhe são upper class).

Ensinar (o tal pedagogismo), formar (o tal regeneradorismo), treinar (aquilo da integração), o etc e tal que sempre alvitram sobre os outros conflitos sociais? Nada, que é o tempo da “agenda de género”, nesta passada que parece ter sido a alínea homossexualidade, e essas minudências são para outras coisas – o terrorista islâmico? vítima do Capital, do (pós)colonialismo. O morcão ordinário? prenda-se.

É um escândalo intelectual, blindado em aldrabices históricas e confusões conceptuais, alimentado pela ignorância e cobardia dos políticos (quem quer estar contra as “mulheres”?).

Ensinar, treinar, elogiar, demonstrar, que a única coisa que importa é isto, isto que a velha Aretha nos canta até à alma, ao pénis, às vísceras, isto de nós, homens e mulheres, fazermos as mulheres (e os homens) cantarem, trautearem, isto do “tu fazes-me sentir uma mulher [natural]”, coisa de afecto, respeito ou até talvez amor, se a ele conseguirmos ascender? Colocar as instituições ao serviço disso, e exigir-lhes resultados? Nada disso, o importante é confundir os ignorantes e/ou desapossados com os criminosos ou doentes, cercear o direito à baboseira, balbuciar argumentos desonestos (e anacrónicos), pontapear o “ideário” (afinal com aspas) utilizado para todas as outras causas, fenómenos.

As belas causas servem mesmo para isto, para obscurecer. Acalentar os espúrios sentimentos de quem as ergue. E para o vazio, repressor. São os feixes, até ridículos, do (pós?)marxismo de hoje. Atrevido, confuso, por isso sedutor. Miserável. Mas sempre temível, inimigo.

(jpt)

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