A má companhia

Desde que sou adulto? Balsemão, Mota Pinto, Soares, Cavaco, Guterres, Barroso, Santana, Passos, Costa foram PMs. Todos criticados, vasculhados, protestados. Mas nunca nenhum como Sócrates. Ao longo dos anos o desespero dos oponentes, os indícios, os rumores … Até em Maputo, onde por vezes alguns dos círculos perto do poder de cá deixavam, com bonomia, cair alguma ironia. Pois Sócrates era, intuía-se, deduzia-se, aparentava-o, aquilo que … é, sabemos agora e tanto tarda a (inacreditável) justiça em provar.

Leio hoje na “Visão” o texto de F. Câncio, sobre a sua amizade (deduzo-a, pois a autora não classifica a relação) com Sócrates. Defende a sua reputação pessoal contra os ataques da imprensa. Tem direito a ela e espero que a preserve, que é assunto privado e nada me move contra a senhora. E a reputação profissional, o que já é assunto público, que me interessa. “Grande repórter, cronista, polemista, activista”, assim é apresentada pela revista. Durante anos a fio defendendo, lato sensu, o poder de então, e até contribuindo para influenciar a sua agenda em causas que são (legitimamente) suas, na imprensa, em público e, onde eu via mais, em blog. Diz agora que, apesar de dele próxima, nunca percebeu os meandros do então PM. Acredito mesmo, sabemos como a proximidade, a crença, o sentimento nos tolda. E fico solidário, ainda que distante, devem ser momentos angustiantes os que vive. Pois prejudicada no seu bom nome. Pela proximidade a um homem que a tantos seduziu. Uma “má companhia”.

Mas o que me interessa, muito para além da jornalista, é compreender como a continuarão a ler, crer, apoiar, à “grande repórter, cronista, polemista, activista” e àqueles que com ela tanto ombrearam na arreganhada defesa do indefensável. E que hoje surgem com as mesmas certezas, com o mesmo arreganho, na defesa dos que agora têm o poder, tantos deles exactamente os mesmos que o tinham antes, aquando daquilo que, afinal, não percebeu Câncio, não perceberam os tantos companheiros. Ou, por outra forma, como (se) mantém a reputação profissional enquanto se defende esta forma de exercício do poder político.

Daqui a uns anos outrem surgirá, então decerto que na “Sábado”, a dizer que não sabia. Entretanto foi apoiando e fazendo apoiar. E nós, humanos, compreenderemos. Pois quem não erra? Principalmente se vítima de um sedutor. De uma “má companhia”.

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