Jesus

JJ

Este nosso, sportinguista, conúbio com Jorge Jesus é tramado. É como casar com uma mulher divorciada ainda preenchida de amor-ódio para com o seu ex (pior mesmo só uma viúva apaixonada, qu’a gente nunca será melhor do que o falecido). O ex-casal desavindo não pára de se bicar em público e a gente, de certa forma, e passe o plebeísmo (forma de pedir desculpa a quem me controla o FB), é um bocado “corno” sem o ser, pois ainda que seja ela séria e leal é muito óbvio que se farta de pensar no passado. E o outro também, já agora. Como se tivesse ido à sua vida, arranjado uma mais nova, até mais ponderada, menos exigente, mas ainda assim não se esqueça do antes que já passou, não se cale com as invectivas, com os desaforos. Resta-nos amá-la, fazermos o possível para a fazer feliz e termos esperança que o tempo tudo lhe cure.

Ontem foi como se fosse a boda alheia, não fomos convidados, como é natural. Mas ainda assim muito, imenso, e mal, de nós se falou, como se JJ fosse o despudor em pessoa. É ele muito “mão na anca”, justiça seja feita. Mas já o era antes, quando era vitoriado ali na vizinhança. Para os meus amigos benfiquistas ele tem uma incompetência letal: é incapaz de ganhar na “Europa” – e eu lembro-me do desespero deles, dos clamores “roubalheira”, com a “permissividade” do árbitro nos penalties da final da Liga Europa com o Sevilha. Mas eles esqueceram.

beto

 

E cometeu dois grandes pecados: viu o seu anterior patrão sondar, acordar e contratar alguém para o seu lugar enquanto ele estava em funções, e a esse alguém não perdoa, rudemente; e, dado que o anterior patrão verdadeiramente não o queria no lugar, foi à sua vida, arranjou outro emprego na mesma cidade. E isso é imperdoável para a “nação benfiquista”, popular, austerizada, “flexibilizada”, como se diz em “patronês” actual, desempregada ou desempregável.

É o JJ um exemplo de polidez? Não. Da humildade salazarenta e sacristã? Ainda menos. Se há algo de exemplar nisto tudo, neste “facto social total” que é o episódio “Jorge Jesus” nesta década de 10 de XXI, é a alienação radical da “moldura humana”. E a culpa não é do futebol, é mesmo de nós todos, adeptos, incapazes de compreendermos as condições da nossa existência, desprezando a irredutibilidade dos direitos que nos deveriam proteger. E tanto a desprezam que invectivam, e de modo tão veemente, o tipo que os exerce.

O que vale é que agora virá o defeso, o mercado dos “heróis”, os milhões para cá e para lá. “E para o ano é que é!”.

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