A publicidade, o racismo e eu

Quando estive na Índia confesso que fiquei chocada com alguns anúncios que vi na TV sobre cremes branqueadores da pele e escrevi sobre isso no maschamba, num postal que desconsigo encontrar. Agora deparo-me com este anúncio chinês símbolo de um racismo aparentemente endémico. Pelo que li, tem levantado celeuma por esse mundo fora. A minha primeira reacção foi incredulidade – como é que neste dia de hoje alguém se atreve a ter tal desplante! Associar ao negro o sujo, o poluto, o conspurcado como se ainda vivêssemos lá nos tempos quando isso era costumeiro. Não teremos “evoluído” nada? Depois indignei-me pelo racismo tão básico e tão óbvio das imagens. Mas depois….

Depois pensei: serei eu a racista? Serei eu a racista (aos gritos na minha cabeça)? Se em vez de um africano sorridente, fosse um qualquer europeu sorridente, sujo de pudim ou assim, como seria o anúncio? Pateta talvez, mas arrancar-me-ia um sorriso. Serei eu a racista?, pergunto-me agora incrédula. Não, descanso-me, o racismo existe para além do olhar de quem o vê.

No mundo ideal, este anúncio seria considerado apenas uma forma básica de humor recebida com nada mais que um sorriso! No mundo ideal nem se atentaria à cor da pele. Mas, no mundo real as pessoas morrem de fome como diria um amigo meu. No mundo real as pessoas são ainda diariamente descriminadas e agredidas por causa da cor da pele com que nasceram. No mundo real o racismo faz parte do nosso quotidiano, queiramos ou não. Por isso este anúncio é inaceitável e eu por isso o condeno.

AL

 

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6 pensamentos sobre “A publicidade, o racismo e eu

  1. Penso que os europeus estão com algum peso na consciência e qualquer coisa é logo racismo. É um anuncio perfeitamente normal, básico.
    Só que hoje em dia qualquer coisa fere a susceptibilidade de alguem, negro, chinês, gordo, magro, homossexuais,etc.
    chegará um ponto que nao haverá mais humor pois fere alguem.

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    1. Olhe Antonio, nim. Nao me revejo no mea culpa europeu nem no indignismo bem pensante e concordo consigo – o humor nao deve ter amarras; afinal se a liberdade de expressao nao permitir o que “nao se pode dizer” para que serve ela? Mas que quer? No caso deste anuncio junto-me eu ao coro das flores de estufa ofendidas…

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  2. acabo de ler o pedido de desculpas da empresa (“a todos os africanos”, levando logo a uma justificada pergunta: “são todos os negros africanos?”. Mas assim comprovando que o anuncio é verdadeiro

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