(N)Euro 2016 – A prova dos 11

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Hoje, dia final do Euro 2016, interessa muito pouco que o jogo contra a equipa da casa* confirme o que se sabe sobre Fernando Santos, ou seja, que é um treinador temeroso, que tem mais medo de perder que vontade de ganhar. Fernando Santos não é um resultadista no sentido habitual que se dá ao termo, é um homem racional cheio de fé, mostra-nos que isso pode existir, e, entende que a equipa que escolheu – aqueles 23 – não tem qualidade suficiente para ir para cima dos adversários e comê-los mas que pode esperá-los e adormecê-los em lume brando. Fernando Santos é um homem ponderado, mais reactivo que activo, um homem de fé inabalável que espera que o adversário se espalhe, tropece, erre, enquanto pela mesma razoável crença acredita que qualquer um dos seus pupilos em momento de inspiração eventualmente divina, mande a bola às couves e faça uma desfeita ao adversário. Portugal tem jogado pouco para a equipa que levou a França, mesmo contando que levou Éder, Eliseu, Vieirinha que não parecerem caberem no lote final, ou, por outras razões, André Gomes que joga a passo, que não defende, que não segura a bola e pouco realiza quando ataca, mas que tem um forte apoio mediático vá lá perceber-se porquê. Sobram, assim, 19 jogadores de maior qualidade, incluindo 2 guarda-redes que só foram fazer companhia a Rui Patrício, e que em melhor ou pior forma, são suficientemente bons para comparar a “equipa de todos nós” com qualquer outro dos contendores neste Euro 2016 que podendo ser o do nosso contentamento, não foi um torneio de qualidade superior como demonstraram a lenta Espanha, a Itália à procura de uma nova equipa com Conte numa tentativa de evolução do velho catenaccio, uma Inglaterra tão temida como miserável, a França a subir de produção mas ainda assim longe da qualidade de outras suas equipas e até a poderosa Alemanha, campeã do mundo em título, que se apresentou um pouco desequilibrada e com muitos dos seus jogadores cansados – agora diz-se mialgias de esforço e outras merdas assim. Certo é que, apesar de tudo, a Alemanha foi a melhor equipa até ser eliminada pelos “da casa” sem grande brilho mas com o Lopes Griezmann a espetar duas granadas ao pobre Neuer. As restantes equipas? Não me lixem, as melhores delas são banais apesar de correrem muito, muito, como a Islândia, ou de terem gajos de excelência como a croata com Modric ou Gales com Bale, e as piorzinhas não chegam a ser medíocres num claro excesso de boa vontade na apreciação. E Portugal no meio disto tudo tem os tais 19 jogadores que podiam jogar em qualquer uma das tais “melhores”. Patrício? Pode não ser tão bom como o Manuel Neuer ou como Peter Cech nem tão experiente como Buffon, mas, sempre que foi preciso, sacou bolas de golo (incluído o pénalti despesempatador) e defendeu a continuação de Portugal em França. Os putos Cédric e Raphael ou os veteranos Pepe, Carvalh0, Fonte ou mesmo o selvagem Bruno Alves mostraram estar ao nível dos melhores, Danilo é suficiente para o cargo, tem mais presença fisíca que William mas menos capacidade de jogar para a frente, passa para o lado ou para trás mas cobre bem e é para isso que Santos o quer. No meio do campo é uma pena Moutinho não ter pilhas frescas mas há Adrien, uma discreta carraça de aço que seca qualquer um que lhe apareça pela frente com a mesma disponibilidade com que Renato Sanches entra nos desafios e enquanto não lhe saltam os bofes pela boca. Se Renato não é, ainda, o que muita gente diz ser (perde posição constantemente e falha demasiados passes para aquilo que se exige), não há grandes dúvidas que transmite uma energia bem necessária a uma equipa que com Moutinho joga devagar quase parada. João Mário joga de pantufas de enorme classe e foi pena que Santos quisesse tirá-lo do lado certo, o direito, sacrificando o míudo na ala esquerda onde obviamente rende muito menos mas, apesar disso, bem mais que o tal rapaz Gomes, também a jogar do lado errado, o direito, mas que nem devia ter embarcado poupando-se dinheiro e o sacrifício de o ver arrastar-se pelos relvados. Depois há a redenção tardia de Quaresma, para mim o mais talentoso jogador dos últimos muitos anos, endiabrado mas penalizado pela inconstância, preterido segundo alguns por ser cigano, dispensado, ouvindo outros, porque não é eficaz e dado a fossanguices num jogo que se quer colectivo. De qualquer modo, mesmo com as suas características defensivas, há que tirar o chapéu a Fernando Santos, o único seleccionador que aposta no “Harry Potter” e lhe reconhece talento acima da média, mesmo que só o deixe à solta poucas vezes e nessas vezes poucos minutos. Mas o cigano adorado não volta a cara ao fado, ri-se, e finta os Paulo Bentos do Futebol (este um homem que não tendo o aparente receio de ganhar como a actual seleccionador, odeia essa coisa de predestinados preferindo carregadores de piano e gajos que não levantem a grimpa, como infelizmente  provou nos anos em que esteve no Sporting e mais tarde com a triste passagem pela Seleccção Nacional). Depois há Nani, não com os piques de outros tempos mas a cumprir a escolha com 3 golos já marcados, Rafa que foi até França em viagem de turismo, deu três toques na chincha e que bem podia ter entrado num ou noutro jogo e Cristiano Ronaldo. Deste que se pode dizer que não tenha sido dito? É um maçador, eis o que Cristiano é! Mesmo com mais de 60 jogos de alta competição por época, com uma ou outra lesão que possa cortar-lhe a forma quando mais precisamos dele, com tantos apedrejadores nacionais e internacionais, com Santos a dar-se ao luxo de o sacrificar tacticamente (partindo do basilar princípio que Portugal tem uma táctica definida para além da estratégia), vai o gajo e catapruz, marca com um calcanhar daqueles e uma cabeça daquelas e atira todos os microfones idiotas para o lago.

Dito isto espero que Portugal dê uma lição (com cabazada é que era!!!) aos palermas dos franceses, que o árbitro não incline o relvado do Stade de France e que a malta se lembre da Batalha do Vimeiro e tragam o caneco para casa!

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Lembrando outro seleccionador nacional, o bom gigante José Torres:

“Deixem-me sonhar!…”

 

*Leia-se França, numa técnica à Pinto da Costa que consiste em não nomear, desvalorizando, os que lhe fazem frente

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