A Portela

Aeroporto de Lisboa - 04

Delgado foi um nazi tardio, a ala mais nazi do Estado Novo. Nesse estatuto, e na cooptação por Salazar dos mais direitistas quase exo-regime, anos após a exclusão dos “camisas negras” de Rolão Preto, foi colocado (amansado) na avião civil. Passados anos foi para os EUA. Aí terá sido de novo cooptado, visto como integrável no pacote de generais que os americanos da época agregavam para gerir países latinos (e asiáticos). Acalentou depois um projecto de poder pessoal, “caudillhista”, conjunturalmente associado à oposição democrática mas que em pouco ou nada a corporizava (foi muito menos um De Gaulle luso do que um qualquer Tapioca sul-americano – como o comprovam as difíceis relações que teve com os oposicionistas até ao seu assassinato). A mitologia portuguesa precisou dele para simbolizar o “antifascismo” (e razões daquela época desvalorizaram Norton de Matos, esse muito mais associável a um gaullismo à portuguesa, apesar dele próprio). A historiografia portuguesa cede às pressões mitográficas (leiam-se as impressionistas e autobiográficas páginas que lhe dedicou João Medina na vastíssima História de Portugal de fins de XX). O PS, típico, conspurca a Portela metendo-lhe o nome do general. O aeroporto da minha cidade leva agora, em 2016, por rasteira ignorância e demagogia do poder actual, o nome de um asqueroso admirador de Hitler.

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