Finalmente há L.U.A.R.

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Mariana Mortagua junto ao Parlamento em Lisboa 01-05-2015 fotografia: Marisa Cardoso

As mais recentes e excitantes actuações de Mariana Mortágua – o anúncio de um novo imposto, taxa ou sobretaxa ou o que lhe quiserem chamar sobre imobiliário, substituindo-se ao Governo e ao ministro das Finanças, a par da rábula feita para grande gáudio dos socialistas na rentrée do Clube do Rato, em que para além da explanação de conhecimentos profundos sobre todas e mais algumas teorias económicas, esquecendo convenientemente que aquelas que advoga tiveram resultados conhecidos e extraordinários, propõe aos basbaques acríticos que pensem se o conseguirem, numa substituição do sistema capitalista por outro ainda indefinido (talvez o mentor da simpática menina, o Anacleto Louçã, tenha a noção da substituição bem assente mas não quer, por ora, desvendar o segredo que sabemos ser de Polichinelo) . Os circunstantes aplaudiram a  lição de sapiência porque, mesmo os mais cépticos em relação a António Costa, estão anestesiados com o Poder e hipnotizados pelo sorriso, tão idiota como desnecessário dado o estado da gasta pátria, que nos últimos meses o grande líder traz afivelado acima do queixo em que lhe escorre  habitualmente o suor. Enfim, quem diz a verdade não merece castigo e Mariana Mortágua atira com furor revolucionário e mais que provável distracção que é uma esquerdista radical. Esta escorregadela tem sido pouco apreciada e nada comentada o que não deixa de ser uma pena pois Costa y sus machuchos querem-se convencer  e que o PS engoliu o Bloco e que, ao contrário do que se vê, não anda a reboque dos radicais. O mais engraçado é que o Bloco também não quer ser olhado como um partido da esquerda radical para engrupir alguns tansos na altura da cruzinha no boletim de voto. Só pode ter sido distracção da rapariga, portanto. Voltando um pouco ao estado de alma da oradora convidada, o tal furor foi certamente herdado do seu progenitor, um pilar da brigada de benfeitores L.U.A.R.  (Liga de Unidade e Acção Revolucionária, fundada em Paris em 1967) e a firmeza ideológica delicadamente amparada pelo pedagogo Francisco Anacleto Louçã, que inteligente como é e vendo o Bloco de Esquerda a caminho do charco, se retirou a tempo para os bastidores do radicalismo, colocou uma gravata para se sentar à mesa do Conselho de Estado e da SIC do capitalista Balsemão, e deixou à boca de cena algumas marionetas de confiança com a declamadora Martins a coordenar o espectáculo. Louçã conhece a rapaziada, sabe da memória curta e pouca apetência para estabelecer nexos causais, e tranquilamente segue a sua nunca negada crença na revolução contínua pensando que a sua militância no PSR (até 2008) foi morta e enterrada como Trotsky mas olhe que não Sr. Doutor, olhe que não.

E agora silêncio que se vai cantar o fado.

 

Nota:

O título do postal é uma referência muito enviesada à obra de Luis de Sttau Monteiro “Feliamente há luar” que há-de perdoar o abuso lá onde estiver

 

 

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