O Berlinde com Eusébio lá Dentro

“O Berlinde com Eusébio lá Dentro”

O meu amigo Almiro Lobo, prestigiado académico moçambicano, homem de bem, e amigo do seu amigo, publicou há cerca de um mês em Maputo mais um livro, este de crónicas autobiográficas, algo a que o belo título alude: “O berlinde com Eusébio lá dentro” (editado pela Alcance). São memórias da sua meninice e juventude, 14 textos que evocam o seu Chinde natal, a Zambézia, o Niassa, Maputo e ainda o cá Portugal*, onde o Almiro se pós-graduou. E onde também casou, com a minha patrícia Paula. Aliás, um fruto desse casamento surge ali na foto, em pujante pose futebolística (o rapaz tem “pinta”, não haja dúvidas).

Está Almiro Lobo (e decerto que a editora Alcance) agora surpreendido com a tomada da Luís Laureano Santos e Associados/Sociedade de Advogados, um escritório que representa o Benfica que o acusa de usurpar direitos de imagem de Eusébio, ao que parece detidos pelo clube. Como resultado disso a venda do livro foi suspensa.

Isto é patético. Não só devido ao produto de que se trata, um pequeno livro de memórias – que nunca se tornará um sucesso comercial, pilhável pelos omnívoros clubes de futebol. Mas também pela confusão acontecida: um rapaz mulato a jogar à bola? Eusébio será. Para Luís Laureano Santos e Associados os “pretos [de facto mulatos, no racialismo português] são todos iguais”?

Mas mais do que patético é gravoso, isto de chegarmos ao ponto de que a memória social (sim, não esqueçamos que Eusébio até para o Panteão foi) se torna património privado e não daqueles que a cultivaram e reproduzem. Li alguém escrever sobre este caso apatetado – raisparta, se fosse representado por um escritório de advogados que fizesse uma coisa destas mudava logo para uns quaisquer rivais – que “isto é o colonialismo”. Não é, nem pensar nisso. É sim o capitalismo. Com advogados da “distrital”, já agora.

Enfim, a ver se o clube Benfica abre os olhos e retira esta acusação parvoíce, que só o apouca, clube popular – e de memórias – que é. E se o livro volta a ser vendido.

*Ainda não li o livro, retiro estas informações do texto de Elisabete Azevedo-Harman, que o apresentou em Quelimane.

 

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