Banco CTT

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Dantes os CTT eram os “correios”, a gente ia lá para enviar cartas (que eram papéis dedicados às gentes amadas ou conhecidas, escritos à mão quando isso ainda ainda se fazia), postais ilustrados (que eram os antepassados dos “posts” de FB, escritos quando se ia de férias) e, de vez em quando, encomendas. Ia-se lá para comprar os selos, e colá-los, e para isso usavam-se uns pesados frascos de cola pastosa e seus pincéis. E também para telefonar, nos telefones públicos, quando se estava no “país real” (na província, como se dizia então) ou nas estâncias balneares. E, cúmulo da tecnologia, telegramas, que eram os SMS daqueles tempos, quando a urgência apertava. Entretanto o mundo mudou, primeiro veio o “Correio Azul”, pagava-se mais para enviar a correspondência de forma mais expedita e depois o resto todo. Depois os telemóveis, que haviam sido um sonho de ficção científica. E depois o antes inimaginável email, que tanto prejudicou os taxistas do correio, então ditos carteiros. E tantas outras coisas.

Os CTT mudaram. A empresa diversificou os seus serviços, a sua oferta ao público. E foi privatizada, adquirida por investidores do melhor que há. E associou ao velho serviço postal um banco, decerto que captando a simpatia que nós, povo, sempre tivemos com a empresa, transportadora das notícias queridas. Ou nada amadas, mas necessárias. Mas mantém o seu serviço postal, a trave mestra da relação do grupo  com o povo.

A minha filha vive em Bruxelas, a Brasília da Europa. Passou aqui as férias de Verão. No início do ano lectivo voltou. Partiu, levando-me o único bocado cá de dentro significante. Mas esquecendo um pacote de fotocópias, as pautas que utiliza para aprender piano. Depois pediu-me que as enviasse. Assim fiz, dirigindo-me à estação CTT. O envelope das pautas fotocopiadas era algo bojudo.

Em correio normal, aquele correio que estabeleceu as relações de confiança deste povo com os “Correios”, custa o envio 6,5 euros, 1300 escudos em moeda de gente. Em correio registado (ou “azul”, se é que isso ainda existe) seria muito mais. A entrega seria um pouco mais rápida, mas em normal demoraria entre 5 a 8 dias. Eu sou um velho, ainda dos “tempos” dos “Correios”, confiáveis. E falta-me o dinheiro, tenho que o poupar. E a urgência não era dramática. Enviei as pautas fotocopiadas no sempre confiável correio normal, paguei os tais 1300 escudos, uma boa quantia para mandar umas folhas.

Passado um mês o envelope não chegou. Fui à “estação dos CTT”, narrei o acontecido ao funcionário, simpático. “Extraviou-se”, disse-me. “Não há nada a fazer”, o “correio normal não deixa rasto”. “Pode fazer uma reclamação”, e foi-me buscar os impressos, “mas só receberá um pedido de desculpas”. Ou seja, a opção da empresa é enviar correio normal, como o fez desde que foi fundada, sem ter possibilidade de saber o que acontece com isso. Se alguém quer ter segurança tem que pagar mais.

Ao lado, mesmo ao lado do simpático funcionário, está o balcão do “Banco CTT”. Mesmo ao lado. Nunca na vida colocarei a hipótese de o usar. Às pessoas que venham ler este blog (ainda as há) só posso perguntar: “Quer(es) um conselho?”. E se o quiserem, se o aceitarem, boto-o: nunca utilizem o Banco CTT. Pois se a empresa é tão incompetente, e malvada, no negócio que lhe foi génese, como confiar neste novo  negócio em que se meteu, como confiar-lhe as nossas poupanças?

É o mundo do aldrabismo. Miserável.

 

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3 pensamentos sobre “Banco CTT

  1. Se porventura trabalhasse nessa empresa incompetente, saberia melhor do que falava ou melhor, nem falava.. o sucesso dos carteiros depende 90% das pessoas que remetem a correspondência (mencionando as moradas de forma correta e legível, o que inexplicavelmente em muitos casos não acontece). os restantes 10% dependem claro está da eficiência do serviço, que tem falhas, como todos os serviços têm, mas caso não saiba, se tivesse optado pelo “correio registado” em caso de extravio seria reembolsado, porque como em todas as empresas os melhores serviços pagam-se a preços mais elevados (certamente não esta a espera também que o stand da esquina tenha lá um Ferrari que custe 1000€)

    Moral da Historia: Falar mal dos “outros” é tão mais fácil que ser melhor que eles!

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