Combustível no avião

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Partilhada no FB a gravação da caixa negra do avião que caiu com a equipa de futebol brasileira, onde joga o sportinguista Marcelo Boeck. É perfeitamente audível o piloto dizer “sem combustível”. Quem conheça pilotos (ou tripulantes de cabine) sabe bem que há muitos anos se ouve dizer isto, que a luta por baixar custos devido à concorrência conduziu a uma redução do combustível carregado, até à quase “linha de água”. Agora, neste caso e desgraçadamente, até abaixo da “linha de água”.

A segurança aérea é a mais competente dentro do sectores de transportes. Mas parece cada vez mais pressionada – pelo mercado, essa mão invisível que alguns acham virtuosa. E essa mesma mão, o mercado, poderia ajudar. Com tanta tecnologia disponível as companhias poderiam enviar para o telemóvel (ou computador) dos viajantes os dados técnicos da viagem (x litros de combustível em avião Y para rota Z segundo condições K, tantas horas e aeroportos alternativos A[BC]). Informações controladas pela IATA, como tal fidedignas. Basta inventar a “aplicação (app)” para tal. E que alguma “low-cost” a use para atacar os empórios do transporte aéreo. Ou estes, para contra-atacarem as “low-cost”.

A concorrência no mercado é isto: oferta de bens e serviços, procura informada, sob algum tipo de tutela esclarecida. Os clientes escolheriam (também) em função da sensação de segurança que teriam – pois se trata de criar “sensação de segurança”, fiabilidade, dado que a maioria de nós não tem os instrumentos conceptuais para aquilatar sobre aquele tipo de informações.  O mercado sairia mais virtuoso. E os pilotos menos pressionados.

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2 pensamentos sobre “Combustível no avião

  1. Não está a pensar nada mal meu caro – ainda que eu não esteja a propor votações e concorde (aliás escrevi-o) que o comum não perceberia as informações recebidas A ideia de um rating de companhias é boa (De certa forma já há, mas é pouco real na vida do viajante) O que quis foi utilizar os mecanismos de mercado (tutelado) para contra-atacar esta luta desbragada de preços que parece estar a perigar a nossa segurança

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  2. Não me parece boa ideia. Não me sinto habilitado a escolher a quantidade de combustível aconselhável considerando a variabilidade dos ventos na rota, a taxa de ocupação do aeroporto e eventual tempo de espera, etc. Em princípio um desastre destes mostrará às administrações das companhias aéreas que podem enfrentar perdas substanciais quando pisam o risco na segurança. Existe informação a mais que acaba por ser impossível processar de forma adequada. Eu preferiria um rating feito pela IATA baseado nos prémios de seguro que as diversas companhias pagam.
    Explorando a sua sugestão poderiam fazer antes de levantar voo um referendo sobre quanto combustível se devia levar no avião com um prémio de desconto do bilhete para valores mais baixos de combustível . E ganhava a maioria simples expressa tal como no Brexit. Os que votassem por valores maiores de combustível amochavam como farão os ingleses. Ou então emigravam para fora do avião…

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