Congresso “Cartógrafo de Memórias – a poética de João Paulo Borges Coelho”

jpbc

Sítio do Congresso.

Uma bela notícia: nos próximos 13 e 14 de Julho 2017 decorrerá em Lisboa um congresso dedicado à obra do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, que leva como título “Cartógrafo de Memórias: a poética de JPBC”. Até 28 de Fevereiro está aberta a recepção das propostas de comunicações para aqueles que quiserem participar. Para nós outros fica a opção de “assistentes” ou (se muito depauperados, e por isso a eximirmo-nos de pagar a breve espórtula requerida pela universidade) a escapulirmo-nos para as salas sem que ninguém nos veja.

Em relação ao João Paulo Borges Coelho eu sou muito suspeito: este “As Duas Sombras do Rio” é um dos livros da minha vida e é, com toda a certeza, o livro que mais me marcou durante a década dos meus quarenta anos. Coisas cá minhas, decerto. Não que o diga o melhor dos livros do autor, digo-o o que mais me bateu.

Eu não sou especialista de literatura e as dissecações, análises, avaliações e contextualizações deixo-as aos do ofício. Sou só leitor. E é como leitor que vou insistindo (de boca a ouvido, às mesas de jantar ou petisco, in-blog) que o João Paulo Borges Coelho é um excelente escritor, que vem construindo uma obra que é, sem qualquer dúvida, e de muito longe, a mais interessante, bela e complexa obra literária em português em África, e que é também um monumental tratado sobre Moçambique e sobre o mundo moderno.

E que por isso mesmo, pela complexidade, mas também pelo sua aversão ao exotismo de forma e conteúdo, desabunda nos escaparates lisboetas e seus arrabaldes, nas estantes dos adoradores daquela “áfrica” de ocres, natureza virgem e poética nativa, dela nostálgicos ou sonhadores, e inexiste nas editoras brasileiras, talvez mais interessadas no pitoresco “afro” apropriado aos apetites neo-imperialistas do seu país.

Os livros do jpbc são mais do que recomendáveis para quem gosta de ficção. E são também – é a minha leitura de fan, tanta que até me atrevi um dia, em registo de amador, a botar uma faladura sobre a sua obra, a que chamei não “cartografia” mas sim “geologia” – um grande manifesto sobre o seu país, o qual não precisa, por assim afixado, de ser constantemente sumariado em pequenas declarações políticas à imprensa ou nos bate-boca literários. O que também reduz a venda dos livros, sabe-se bem.

Enfim, vai longo a aviso do congresso, dada a alegria sentida quando hoje soube do evento. Que seja motivo para boas comunicações sobre a já vasta obra ficcional (e também com BD). Para o encontro de admiradores do escritor. E para que seja convenientemente divulgada pela sua (distraída?) editora.

 

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