A mentira sobre Castro

Longe vão os tempos da “blogosfera”, nos quais os bloguistas se liam, entre-ligavam em críticas, comentários e elogios (e mesmo insultos). Hoje lê-se os blogs em silêncio. Ou, vá lá, “laica-se” lá na plataforma FB. Por isso este postal vai assim, neste registo, cito sem referir, pouco interessa a origem, é apenas um sintoma. Do tipo de discursos em Portugal, do tipo de intelectuais consagrados que por cá se respeitam.

Sobre Castro leio agora um postal, escrito no início do mês por um veterano bloguista, historiador. Recorrendo a uma conceptualização, ancorado em bibliografia, concede que o homem tenha sido um autocrata mas considera uma mentira da direita, aquela adversa à liberdade (de facto todos aqueles que não são marxistas), afirmar que o homem tenha sido um ditador – “Mas a direita serve-se indevidamente dele, usando-o para demonizar uma experiência histórica que, em anos de constante apoio da política externa norte-americana a ditaduras sanguinárias espalhadas por toda a América Latina, funcionou para milhões como fator de esperança e um importante exemplo emancipatório. Por isso essa «verdade», vinda, ademais, de uma área política na qual a luta pela liberdade sempre esteve longe de ser uma prioridade, se funda na ocultação, produzindo, de facto, uma mentira.

Leio isto e gelo, tamanha a desfaçatez do autor. A gente sabe que algumas décadas antes, diante da barbárie nazi-fascista, e do anterior holocausto da I GM, e dos tenebrosos anos 20s europeus e norte-americanos, o regime de Estaline, o “paizinho dos povos”, foi exactamente isso, “funcionou para milhões como fator [sic] de esperança e um importante exemplo emancipatório“, tal como Mao o veio a ser. Aqueles para os quais “a luta pela liberdade sempre esteve longe de ser uma prioridade” vieram a chamar-lhes ditadores. Mentirosos, pelos vistos.

Um historiador. Arauto da liberdade, com toda a certeza. E com este tipo de argumentação. Estamos em 2016. Respeitem-no. Se conseguem. Desrespeitem-se.

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Um pensamento sobre “A mentira sobre Castro

  1. Está bem, oh meu irmão mais novo, portanto com mais garra para estas coisas.
    Ocorre-me, bem que mal, lembrar-me, a propósito, do grande Pedro o Grande, czar ou imperador da Rússia, em tempos passados, que, num lapso de tempo curtíssimo, não só criou e aumentou o estado que geriu, mas conseguiu levar o povo desse país a evoluir centenas de anos, quer na cultura quer nos estatutos sociais, i. e., levou a Rússia da baixa Idade Média até à idade moderna europeia.
    O povo aprendeu a ler e escrever, à força é verdade, mas deixou de ser pertença dos boiardos, em troca do que passou a não poder sair das terras onde nascera.
    Não me vou alongar na história deste tirano, um tiranão de facto, que construíu um império incrível, grosseiro, violento, uma potencia continental e marítima, mas quero referir o preço que tal história custou e custa sempre que é criada.
    Claro que o “paizinho da querida mãezinha Rússia” fez o mesmo, para expulsar os exércitos invasores da sua terra e obrigar os seus a deixarem de o ser, e o país, mais todos os outros à volta, a evoluírem quase um século e meio em meio século apenas.
    O “grande timoneiro” fez o mesmo.
    Churchil e Roosevelt, com a ajuda do McCarthysmo, também.
    Meu irmão, olhemos a verdade de frente e não lhe escondamos o traseiro ( a lembrar “o gato escondido com o rabo de fora).
    E não te sintas obrigado a comparar este país em que vivemos no qual é fundamental proteger as minorias, mesmo contra a opinião da maioria, com aqueles em que as maiorias eliminam as minorias.
    Também já vivemos assim.
    De vez em quando também vivemos assim neste país.
    O que aqui não disse não é necessário, porque se entende, julgo eu.
    Abraço
    Mano mais velho

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