Abstinência

preser

Já tenho a minha “ração-FB” carregada das pomposas e sarcásticas invectivas vindas dos esquerdalhos do costume, gozando a proposta da “juventude” do CDS para o ensino da abstinência sexual nas escolas. Os alunos aos dez anos são ensinados sobre a tecnologia dos preservativos e apenas aos quinze lhes é aflorada a temática da abstinência, critica aquela organização partidária. Os intelectuais “libertários” e/ou “revolucionários” riem-se. Pois a abstinência sexual é, como sabemos, o ideário fradesco, reaccionário e, hoje em dia, neoliberal. Veiculado por aquela mescla entre a demoníaca igreja católica (com a relativa excepção deste simpático papa actual) e o pérfido sistema capitalista, interessado em manter disponíveis as energias dos indivíduos reduzidos a produtores/consumidores.

Ao ler estas invectivas surgem-me algumas memórias. A primeira é logo relativa aos próprios locutores libertários. Lembro-me de alguns deste tipo de pensadores (e acabo de ler neste eixo alguém a quem há anos ouvi mesmo estas preocupações) que quando viram os seus filhos chegarem àquela puberdade/adolescência se preocupavam com os “excessos”, com a “imaturidade”, para além dos riscos da gravidez precoce e mesmo do então assustador Sida. Que isto, como sabemos, quando os filhos são os nossos “fia mais fino” … Mas, claro, que em relação ao global, à “política”, ao discurso da cidadania, tudo isso cai, e toca de botar o que “fica bem”. Como agora aparecem. É a pura hipocrisia. Neste caso como em tantos outros que os levam a botar faladura.

A segunda coisa é mais abrangente. A abstinência sexual é uma prática de sexualidade. Legítima. Difícil, tanto pelos nossos anseios como pela erotização (e pornografização) da vida social. Esta nova geração está a ser ensinada, contrariamente às anteriores, que a bissexualidade e a homossexualidade são práticas de sexualidade aceitáveis, normais, dignas. E estão a ser ensinados, também ao contrário das gerações anteriores, que há outras práticas de sexualidade que são ultrajantes, as que usam o assédio, a violência, a discriminação, as que reduzem o livre-arbítrio. O que é interessante aqui é que quem defende o ensino da multiplicidade das práticas sexuais e da afirmação da dimensão ética destas escorraça o ensino da validade e dignidade de uma outra, esta abstinência, transitória (ou mesmo definitiva). Valorizar o livre-arbítrio, a maturação psicológica, desmitificar a ideia da sexualidade como penetração, deixar de reduzir os afectos à “orgasmicidade”, ideias aliás muito veiculadas pelas indústrias “neoliberais” (publicidade, entretenimento, cinema, etc.)? Tudo isso é muito reaccionário (a não ser que se esteja a falar do 3º mundo, em campanhas feministas contra a sexualidade pré-adulta [ou seja, de crianças para as patetas organizações internacionais]. Nesses casos sim, defenda-se a abstinência porque os pretinhos e, em particular, as pretinhas, coitadinhos, são, como sabemos, vítimas dos sentidos, f…. imenso em idades imaturas, e têm imensos filhos e são muito pobrezinhos também por causa disso).

A terceira coisa que me ocorre é esta ditadura da inconsciência que reina nos intelectuais pedagógicos. Lembro a minha memória. A minha filha fez a 4ª classe com oito anos (coisa de ter vindo de uma escola estrangeira). Lá para o terceiro período o professor (um jovem simpático e um bocadito para o imaturo) deu o programa da reprodução. Eu antevi aquilo da clorofila, das sementes, do sémen, útero e vasos comunicantes. Chegou-nos a casa a falar de latex, preservativos (que tinham sido estendidos na sala de aulas, ao que julgo saber) e de “gays”. Fui até à escola, ia todos os dias levá-la e aproveitei para falar com o professor. Sem stress, num “ó camarada então o que é isto?”. O rapaz, algo atrapalhado, a dizer-me que falara de preservativos porque os alunos perguntavam e eu, talvez da velha guarda, “aqui entre nós, não acha que aquilo do tarolo pela vagina adentro não será uma coisa para a gente lá em casa explicar?” (sem latex, já agora), e ele a defender-se “também por causa da sida”. Do sida?, resmunguei eu. Então, os putos têm 9-10 anos (8 a minha), “não praticam”, para que precisam eles de saber do latex estendido? Enfim, siga a marinha que um tipo tem que se adequar aos tempos. Mas ainda assim “a que propósito é que lhes fala de “gays”?”. Aí o homem embatucou. E lá se desemerdou num “está no programa. A sexualidade, a homossexualidade.” Que não está é óbvio, foi o que lhe rosnei. “O que tem no programa é sexualidade, e a homossexualidade. “Gays” é um fenómeno social, uma terminologia política. Não está no programa”. O puto, porque era disso que se tratava, ficou a olhar para mim com o óbvio ar de quem nem sequer pensara naquilo nem o compreendia.

Ou seja para esta ditadura da incoerência, do aparentemente correcto (desde que não seja com os meus filhos, repito-me) o que interessa é o baril. Doutrinar os putos no baril. E cercear o que não é “cool”. Isto não é amadurecer os putos, é infantilizar os adultos.

O que me chateia mesmo? É que o Estado paga a estes tipos, décadas a fio, para serem docentes e investigadores. E não passam de patetas a quererem-se doutrinadores.

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4 pensamentos sobre “Abstinência

  1. Tentando ler o texto de forma fria, fica-se sem saber o essencial. No que é que a ideia da abstinência é positiva?! O autor apenas critica (de forma agressiva diria) a posição de quem critica, sem dar a entender no que é que o ensino da abstinência é positivo… Sendo da geração de 80, essa ideia da abstinência é para mim no minímo idiota. E não, não sou nenhum freak maluco cujos pais viveram o 25 de Abril nús pelas praias alentejanas. Mas sei que uma educação (sexual) equilibrada e atenta dos pais será suficiente para que cada adolescente possa decidir por si.

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    1. SD eu não sou nenhum arauto da abstinência, nem teoricamente nem assente na minha biografia. Não venho dizer que é positiva nem … negativa. Apenas digo que esta esquerdalhada imbecil diz tudo ao contrário do bom senso que V. coloca neste seu comentário. Meramente por razões da imbecilidade que os caracteriza.

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