Soares

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(fotografia de Alfredo Cunha)

Por razões profissionais acompanhei a visita de Mário Soares a Angola  em 1996. Pude então, na distância que a modéstia do meu emprego impunha, observar o hábil político que ele era. Lembro, estava no fim da sua década presidencial, as relações com Angola eram más e a elite luandense nada atreita a Soares. Ele, que visitara inúmeros países, fez finca-pé em ir a Angola durante o seu mandato. Digamos que compeliu o regime a recebê-lo, mesmo no final. Foi uma declaração (um “statement”, como se diz bom português). E um sucesso. Político. Diplomático. E até popular, naquele seu jeito de quebrar protocolos, algo ainda mais visível num país de posturas hieráticas (pelo menos naquela época). Minha vénia então, um político de mão-cheia.

Antifascista, anticolonialista, republicano, democrata. Europeísta. E laico, disse-o, para eleitoralmente evitar o “ateu”. De facto, e para além da sua crença na reprodução do poder por mecanismos clientelares, um tipo de bem acaba por partilhar com ele a maioria dos valores fundamentais. Repito, minha vénia na morte do homem. Que hoje acabou – ou seja, não foi descansar para algum lado, em paz ou desassossego. E não posso deixar de notar o desrespeito de todos esses que aproveitam a morte de um “laico” (ateu) para o enviarem para um inexistente lugar posterior, céu, inferno ou purgatório. Tenham vergonha.

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