O Americano Tranquilo

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Hoje começa Trump. Antes vi imensos compatriotas, verdadeiramente desvanecidos, partilhando o discurso de encerramento da presidência de Obama. E a este tecendo loas. E lembro-me do “The Quiet American” de Graham Greene, meu livro de vida desde a adolescência. Por mim porque logo à primeira leitura me entrevi, tanto me identifiquei com o protagonista, aquele Fowler, algo que sempre se foi repetindo ao longo da vida, nas várias vezes que ao livro regressei. Nessas surpreendendo-me, naquilo de me interrogar “como pude, miúdo, rever-me em tanta idade desiludida?”. Mas indo para além do meu mais mim mesmo, ficou-me sempre a ideia da perigosa malevolência da candura convencida, arrasadora das rugas do real, desconhecedora da história d’agora e anterior, de que fica para sempre símbolo este Pyle, o americano tranquilizado pela sua crença, agente de “terceiras forças” que dele julga serem aparentes criaturas como se fiéis aos “valores” da mundivisão, da “correcção” inquestionável de que  se julga paladino. Mas que são, sabia-o Fowler, sabiam-no todos os outros, muito mais do que isso. E agora, hoje, tão símbolo da Pylnesca era Obama. Tão menos louvável do que esta onda de pensamento “lite” de obamamania, escrava da propaganda “cool”, nos quer fazer crer. E, também por isso, deixando este assustador legado, o “trumping” que aí vem.

Deste “The Quiet American”, deste livro da minha vida, digo sempre, como pai europeu, que deveria ser leitura obrigatória aos nossos filhos europeus.

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4 pensamentos sobre “O Americano Tranquilo

  1. Sou menos crítica sobre o Obama e estive ontem na Women’s March em Londres, mas o Americano Tranquilo também é o livro que se mantém uma constante importante na minha vida desde a adolscência e no qual penso amiúde.

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    1. Um dia ainda alguém me conseguirá explicar a justeza intelectual e política deste tipo de agregados sociopolíticos (“mulheres”) serem convocados numa situação destas. Até lá fico-me na minha, uma demagogia infértil e intelectualmente patética.

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