Trump, Suécia e Mike Pence

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Por mais português e europeu que um homem seja, este novo presidente americano convoca as atenções. Este fim-de-semana li vários textos anglófonos sobre o “estado da arte” americano actual (para alguns deixei ligações no postal abaixo). Mais do que as tonitruantes declarações, mais do que as bombásticas primeiras medidas, que vão sendo embargadas ou aparadas, mais do que as tão precoces demissões entre o seu núcleo duro, mais do que o arrivismo dos membros da “primeira família” – e como o kitsch da recente cerimónia de empossamento (“inauguração” dizem os analfabetos portugueses) e esta socialite concepção de “primeira família” e “primeira dama” apela ao imaginário da decadente tardo-república romana -, o que impressiona nesses artigos é a percepção da paralisia de tudo aquilo. Durante a campanha eleitoral Obama havia dito, com alguma displicência, é certo, que o homem não estava preparado para um posto daqueles. Independentemente do que se pense das suas ideias e tiradas a realidade parece ser mesmo essa, o salto em frente dos “reality shows” para a presidência do país mais poderoso do mundo foi um “passo maior do que a perna”.

Trump vem desse contexto existencial e intelectual, o qual não quer ou não sabe largar, como o mostra o seu tuiterismo desbragado e aquela “boca” a Schwarzenegger, seu sucessor na apresentação de programa televisivo. A ideia fundamental ali é que a realidade depende da imprensa, e não o contrário, algo que é típico do populismo – e que tem tido e continua a ter, à escala, é certo, cultores no poder português. Daí a campanha anti-jornalismo, na ânsia de que o controlo deste implique o controlo dessa realidade. Corre sempre mal. Nessa denúncia da falsidade jornalística como meio de controlar a imprensa, e assim a realidade, nos últimos dias dois disparates pegados, no meio da sua diária gritaria: a reclamação de ter tido a maior vitória desde os anos 1980s, falsidade pronta e em directo desvendada por um jornalista. E agora, ontem, a patacoada sobre os inexistentes acontecimentos na Suécia. Esta última já no domínio da irrealidade, quase surreal. Quem imaginaria um presidente americano a disparatar deste modo pueril? O regime patacoês é tamanho que duvido que aquele “aparelho de Estado” aceite/suporte por muito tempo a deriva.

Com sarcasmo, no Escrever é Triste, Pedro Bidarra escreve sobre o historial de assassinatos de presidentes americanos. É como se um wishful thinking, quase um rascunho para o complemento da notícia esperada. Mas não me parece que se vá (que vão eles) por aí. O descalabro é óbvio, ainda algo ofuscado pela novidade, exponenciado pela falta de “gravitas” (aparente que fosse) e pela incompetência. A gente pode começar a preparar-se para ver Fence ascender a presidente americano, bem em breve, em corolário de manobra interna, como se refere aqui. O qual é um radical reaccionário, uma espécie de integrista cristão, e, muito provavelmente, um “falcão” em termos de política externa. Um político de carreira, com a tal “preparação” para o exercício do poder, de um modo mais racional e burocrático, competente. E que será recebido com alívio geral. Serão os custos, pesados mas conciliáveis, deste breve “affaire” Trump.

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