Vinte anos aos vinte de Fevereiro

engels

Na véspera embarcara na Portela, o avião levantara, os alarmes dispararam, deu-se uma rapidíssima volta ali ao Guincho, veio a dizer-me uma tripulante minha conhecida, e aterrara de novo, para calafrio generalizado. Horas depois partimos de novo e na alvorada daquele dia seguinte aterrou-se em Maputo.  Levaram-me para a casa que me estava destinada, esta varanda na Engels. Chegara para três anos de trabalho. Algum tempo tempo depois percebi que já haviam sido dezoito, os anos ali. Largas dezenas de coisas que não fiz, ainda mais as que mal fiz, um ou outro descalabro. Mas foram-me magníficos esses anos, começados em Mavalane naquele 20 de Fevereiro, há exactamente vinte anos.

Celebro-os com um poema do Eduardo White:

País de mim

O peso da vida!
Gostava de senti-lo à tua maneira
e ouvi-la crescer dentro de mim,
em carne viva,

não queria somente
rasgar-te a ferida,
não queria apenas esta vocação paciente
do lavrador,
mas, também, a da terra
e que é a tua

Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,

repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido

Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,

só nunca deixes que sobre
para não ser memória.

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