Contra a imigração

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Manifestantes em Pretória, foto de Yeschiel Panchia

Na África do Sul mais manifestações contra a imigração. São cíclicas, e usualmente violentas, estas erupções populares. Sentimentos xenófobos, acusações de que são os imigrantes causadores de desemprego e de que se dedicam a actividades criminosas. Para além de se tornarem agentes cruciais na economia informal, em particular o pequeno comércio, sempre algo lucrativo. Vagas xenófobas que incidem principalmente sobre os imigrantes africanos (com protestos dos países e sociedades vizinhas, a antiga “Linha da Frente”, apelando à memória dos sofrimentos, económicos e militares, aquando do regime do apartheid. Mas memórias já muito longínquas, e cada vez mais, no contexto sul-africano). Desta vez as manifestações decorreram de forma violenta.

Os factores são múltiplos: enormes diferenciações sociais na África do Sul, enorme desemprego nacional e expectativas incumpridas nos últimas décadas após o derrube do apartheid. E o fluxo constante de imigrantes, o Going South africano, milhões de pessoas refugiadas, no sentido mais amplo, emigrantes refugiando-se das condições económicas dos seus países almejando algo melhor no país mais rico de África; refugiando-se das guerras civis nos seus países, como os somalis agora perseguidos nestas manifestações. E, como refere este artigo do Mail & Guardian, o facto da xenofobia ser matéria-prima dos discursos de alguns feixes das elites políticas. É um processo histórico particular, claro. Mas tem as componentes recorrentes, presentes em tantos outros países.

Significativo o silêncio aparente (googlei agora e nada encontrei) da imprensa portuguesa sobre a questão. Não será a distância. Será talvez o facto desta xenofobia, desta vontade de uma “Fortaleza África (do Sul)” não encaixar perfeitamente nos discursos explicativos, e tantas vezes moralistas, “ocidentais”. Que venha explicitar a complexidade sociológica, económica e cultural destes processos. Tão actuais. E necessariamente analisáveis para além da postura “ética”.

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Um pensamento sobre “Contra a imigração

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