25 de Novembro – outra memória

Muito se fala do 25 de Novembro de 1975, dia fundamental da ainda jovem democracia portuguesa em que um punhado de bravos impediu a albanização de Portugal. É inegável a importância da data mas o 25 de Novembro de 1999 merece igualmente referência. Assim, aqui fica um resumo para que nunca se esqueça a gloriosa jornada em que uma pequeno clube da Galiza, na verdade um colosso do futebol mundial, vergou, humilhando, o maior clube do Mundo em jogo a contar para a extinta Taça UEFA.

Celta de Vigo – 7 / Sl Benfica –0

Celta 7-0 Benfica, 1ª mão da 3ª eliminatória da Taça UEFA 1999/00

Ficha técnica:

Celta de Vigo:

Dutruel; Velasco, Cáceres, Djorovic e Juanfrán (Coira 66′); Makelele e Giovanella; Karpin, Mostovoi (Tomás 75′) e Gustavo López; Mario Turdó (McCarthy 57′).
Treinador: Victor Fernández. Suplentes Não Utilizados: Pinto; Sergio, Celades e Kaviedes.

Benfica:

Enke; Andrade, Paulo Madeira, Ronaldo e Rojas (Bruno Basto 54′); Maniche, Calado (Chano 63′), Kandaurov (Tahar 45′) e Poborsky; João Pinto e Nuno Gomes.
Treinador: Jupp Heynckes. Suplentes Não Utilizados: Nuno Santos; Okunowo, Luís Carlos e Tote.

Disciplina:
Amarelos: Juanfrán, Cáceres, Tomás, Andrade e Ronaldo.

Marcha do Marcador:

1-0 Karpin 19′ G. P.; 2-0 Makelele 30′; 3-0 Mario Turdó 40′; 4-0 Juanfrán 42′; 5-0 Mario Turdó 50′; 6-0 Karpin 53′; 7-0 Mostovoi 62′.

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Para a partida da 2ª mão o russo Mostovoi disse ao treinador dos galegos que aproveitava para matar saudades de Portugal e fez-lhe um pedido pouco habitual: gostava de jogar sózinho contra o adversário. O treinador Victor Fernandez, homem compreensivo e dado à ternura, pediu ao russo que trouxesse à boleia o Benny McCarthy que andava entristecido por só ter jogado um bocadinho no Municipal dos Balaídos (Vigo) e que, por motivos de economia, não tinha feito o gosto ao pé e uma, mais uma, desfeita aos de Carnide. Enfim, lá vieram os dois por aí abaixo e o resultado acabou em 1 e 1 (golo do sul-africano para o Celta). Rezam ainda as crónicas que Mostovoi estava desgastado da noite anterior em que teria feito uma visita de estudo profundo ao zoológico alfacinha. Alguns frequentadores da noite da capital afirmam que dedicou especial atenção ao Elefante, à Pantera e ao Hipopótamo e que por um triz não fez uma festa à Onça por se ter ficado nas covas. As mesma fontes, fidedignas, acrescentaram à boca pequena que o seu amor aos animais não lhe permitiria fazer uma joga de encher o olho à águia.

Taliscada

taliscaO Comité Executivo da UEFA reuniu de emergência para criar uma nova designação para golos conseguidos em períodos de desconto, ou seja, depois dos 90′ de jogo. A designação doravante adoptada foi inspirada no golo marcado por Anderson Souza Conceição conhecido no mundo futebolístico por Talisca no 1º jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões entre o clube português SL Benfica e a agremiação turca Beşiktaş Jimnastik Kulübü. De notar que Talisca foi emprestado pelo slb aos turcos e, demonstrando grande profissionalismo a que alguns chamaram traição, mandou uma biscoitada para o fundo das redes de Ederson aos 93′ da contenda. Fontes vermelhuscas garantem estar de acordo com a designação agora adoptada, prevendo-se que sirva para outras situações excepcionais que prolonguem os horários ou calendários previamente definidos como sejam os pagamentos devidos pelo Estado ao incauto contribuinte ou a esperançosos empresários.

O maratonista olímpico e a liberdade

Richer-Perez

Impressionante a atitude do etíope Fevisa Lilesa, segundo classificado na maratona do Rio2016, arriscando-se à punição estatal ao terminar a corrida cruzando os braços, assim espalhando por todo o mundo a causa dos Oromia, reprimidos pelo governo da Etiópia.

Mas no momento julguei que fosse apenas um gesto de felicidade, não percebi a dimensão política, de celebração do direito à liberdade. O que me chamou a atenção foi que passados alguns minutos chegou o cubano Richer Pérez, 46º na classificação final, terminando a corrida com este dístico, “Love Jesús”.

Sim, sou ateu. E não tenho nenhuma simpatia pelos proselitismos. Muito menos por este tipo de dísticos, que se espalham no mundo do futebol e outros desportos, associados às igrejas milagreiras das correntes cristãs. Mas impressionou-me, e muito celebrei, isto de um cubano culminar uma prova olímpica diante de todo o mundo, anunciando a sua fé religiosa. Coisa que nas últimas décadas de ditadura comunista não seria possível, seria motivo da sua perseguição e da dos seus próximos. Este “love Jesús” de Pérez no final da sempre esgotante maratona foi a celebração da liberdade, a de culto que é um princípio fundamental. E é também, ou deveria ser, o ferrete da vergonha em todos os castristas e guevaristas que para aí andam.

Os falhanços nas Olimpíadas

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Não há uma forma oficial de classificar países nas olimpíadas. A usual é por número de medalhas, há também o costume dos pontos por classificações finais dos atletas (em particular os classificados até aos 8º lugares) e há até a mais interessante de todas, cruzar os resultados com população e índices de desenvolvimento de cada país (neste caso a Jamaica em 1º lugar em 2012). Seja qual for a forma oficiosa (indicativa) escolhida Portugal nunca fica (nem ficará agora) muito bem na análise, mostrando um fraco grau de desenvolvimento desportivo. Por exemplo, 43º país no Índice de Desenvolvimento Humano em 2015 (não vamos assim tão bem, e declinando nos últimos anos) e ontem 78º no número de medalhas e decerto que coisa similar se por pontos na Rio2016. Alguns resultados muito meritórios não escondem a incapacidade de fazer crescer as representações olímpicas, a fragilidade dos desportos colectivos, a reduzida diversificação das modalidades, e particularmente se comparados com países com dimensões económicas e demográficas algo similares. E explicitam que o esforço de desenvolvimento desportivo, sob o paradigma “Moniz Pereira”, após meados de 1970s e 1980s não continuou em crescendo.

Há quem proteste, que não se pode dizer isto porque é apoucar o esforço e dedicação dos atletas. Erro, dizer isto é valorizar os que ainda assim se vão destacando. Alguns, idealistas, remetem esta óbvia constatação para causas morais, a falta de uma “paixão” desportiva na comunidade nacional. Outros, economicistas (e estatistas), remetem as causas para os reduzidos fundos estatais dedicados à preparação de alta competição. Outros ainda, mais sociológicos, remetem as causas para a falta de uma política educativa pública de fomento desportivo (mas sem se atreverem a questionar o monstruoso Ministério da Educação por essa sua abstenção). Ninguém estará mal nessas considerações mas eu lembro-me de outra coisa, talvez mais política.

Contrariamente ao resto do panorama o futebol (o de 11 masculino e as suas sequelas, de praia e de salão) tem tido um enorme sucesso nas últimas décadas. No topo em termos de clubes, e com regulares vitórias importantíssimas, no topo em termos de selecções de vários escalões, com grandes vitórias também. No topo em termos de jogadores, de treinadores. E até de árbitros e agentes promotores (Proença, Jorge Mendes, por exemplo). Tudo isso de uma forma consistente, desde há cerca de 30 anos.

Ou seja, a modalidade futebol, que é a mais procurada e importante no mundo, tem neste país médio e de economia pequena, um enorme sucesso internacional e extraordinárias classificações. Tudo ao contrário das restantes modalidades. Julgo que essa diferença tem que se relacionar com a excepcional capacidade dos seus dirigentes, os federativos e, fundamentalmente, os clubísticos. Que têm apoios, às vezes directos mas mais indirectos, do estado mas que acima de tudo perseguem os seus objectivos e das suas instituições de uma forma arreigadamente autónoma desse mesmo estado, usando-o mas dele libertando-se o máximo que podem.

A gente pode não gostar das suas figuras, dos seus perfis e dizeres, desde o decano e mais bem sucedido de sempre Pinto da Costa, de Vieira, de Carlos Pereira, de Júlio Mendes e Pimenta Machado, da família Loureiro, de Salvador, de Fernando Oliveira, de tantos outros e até do meu Carvalho. Mas são eles, no topo de clubes mais ou menos ecléticos mas centrados no futebol, que vêm mostrando o caminho de como se leva uma modalidade desportiva aos píncaros. E se calhar é isso que (também) falta às outras modalidades. Fundos públicos, paixão popular, infraestruturas, lei de bases desportivas, professores de educação física, treinadores, etc.. Ok. Mas, acima de tudo, grandes dirigentes desportivos. Autónomos.

Viva Temer (?)

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É-me um bocado indiferente a política brasileira – um bocado como o campeonato de futebol do país, que nunca acompanhei nem mesmo percebi a organização, que  dantes era muito confusa e julgo que continuará qualquer coisa assim, nem nunca me preocupei em saber como é agora … Mas ontem no final da maratona feminina dei comigo a apoiar o presidente Temer. Ou, pelo menos, a desapoiar os desapoiantes do presidente Temer, o que vai dar ao mesmo.

Que é o que merecem estes energúmenos, a invadiram a recta final de uma prova destas, um esforço titânico, uma dádiva radical. Gente de um país que viu o seu maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, esse mesmo que agora acendeu o facho olímpico no final da inauguração dos Jogos, ser agredido e despojado da vitória por um “popular” nos Atenas 2004, e que assim mesmo tem a insensibilidade de perigar o final das maratonistas d’agora. Gente do desrespeito, gente que não presta, mesmo.

 

Os motivos religiosos

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A maratona feminina hoje no Rio. Aqui vão três quenianas (duas a correrem sob a bandeira do Bahrain, país que adoptou a metodologia europeia de nacionalizar atletas para aparecer nos Jogos Olímpicos), duas etíopes e uma bielorrussa (pela qual os comentadores televisivos portugueses torceram como se a rapariga fosse sobrinha da Aurora Cunha). Uns kms antes desta foto ter sido feita o grupo dianteiro era um pouco maior, com mais uma etíope, duas quenianas e duas americanas. Antes ainda estas tinham sido acompanhadas por duas norte-coreanas (que vieram a acabar lado a lado, à gémeos Castro), uma outra americana (que acabou bem, a correr sozinha, de “trás para a frente”), acho que uma ou duas japonesas.

Várias nacionalidades, várias origens, decerto que várias religiões (e até mesmo a possibilidade de ateias, ainda que eu acredite que para um  maratonista a fé ajude em muito). E nenhuma destas, nem das que vinham nos grupos mais atrasados, apareceu com esta nova moda do daeshestilismo, primavera-verão 2016, a linha “IslamRio16”.

Pode ser que isto sirva para que alguns percebam, finalmente, que a base das opções dos equipamentos é uma mescla de funcionalidade desportiva e de estética política. Não é religiosa. (E conviria mandar os relativistas de pacotilha escreverem cem vezes no seu mural de facebook “os equipamentos desportivos não têm fundamentos religiosos”).

 

A inauguração do Rio16

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1) “Brasil”: Temer (ou Témer?) não tem jeito. Bi-apupado, e de que maneira!, numa cerimónia desta envergadura não tem remédio, um dia ninguém se lembrará de Roussef mas os bisnetos Temer serão conhecidos como descendentes de traste;

2) “Género”: o mundo mudou, talvez tenha sido por apelo do COI mas foi espantosa a quantidade de mulheres carregando os estandartes nacionais, até de países surpreendentes em que isso aconteça. Como homem temo o futuro, o que nos acontecerá nas mãos delas? Mas foi bonito o simbolismo, a querer a equidade entre os sexos;

3) “Raça”: estão lixados os racistas. Quem se lembre de um antigo desfile olímpico, tipo anos 70s ou 80s, e o compare com o de agora verá como cresceu a mescla genética nas representações de imensos países (em tantos surpreendendo, num “afinal?!”). E isso é óptimo: daqui a umas olimpíadas ninguém se surpreenderá com isso. A pigmentação da pele, o fenotipo, nada são, e a proximidade via viagens aéreas acabarão com esse infecundo mito da “raça”;

4) “Brasiú16”: logo de início a apoteose de Gilberto Freyre, uma macro-ejaculação de multiculturalismo, uma purificação da história; e no restante nem mais do que um trabalho de propagação do mito do Brasil africano, todo aquele desfile das 200 e tal delegações sob ritmos musicais africanos (pareciam os JO de Kinshasa ou Luanda), sublinhado pelos coros (e dançarinos) de negros, uma inversão simbólica, nada mais do que um racialismo tétrico. Uma apoteose de marketing rácico-político, do desejado imperialismo brasileiro, aquilo do “sul-sul”. Do piorio, se não houvesse ainda pior;

5) “Ecologia”: após o inicial elogio da desflorestação, na parte “histórico-multicultural”, risível, veio um choradinho ecológico, uma coisa patética: na forma, a pobre criancinha negra e a flor no asfalto, etc; no conteúdo, naquele país, naquela sociedade, e sob este poder que mais devastam a floresta virgem em todo o mundo vimos ontem o mais universal (3 mil milhões de espectadores, alguém disse) dos momentos de aldrabismo. Uma coisa inacreditável – “é o (deles) Brasil brasileiro” – os gajos não têm vergonha mesmo … ;

6) cerimónia? simpática à vista: faltou Milton (já não pode?) e apenas laivos de Chico. Um momento glorioso, o desfile da modelo, este apenas com um defeito, a destoar do conteúdo ideológico propagandeado: não há uma modelo negra no Brasil, tinha que ser uma branca loura?

7) [só aqui entre-nós, da língua portuguesa] “Acordo Ortográfico 90”: os gajos escrevem os nomes dos países de um modo diferente do nosso, portugueses. Vale a pena continuarmos nesta palhaçada AO90?

Em suma? Que não haja terrorismo. E que os javalis tenham sido bem alimentados ….

Mário Moniz Pereira

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O maior vulto do desporto português. A estabelecer a ideia de que poderia haver sucesso, sobre o trabalho continuado, ultrapassando a maldita ideologia do “brilharete”, episódico, incidental, que era a ideia do que o futebol-66 tinha deixado. Deixo resumos dos dois grandes momentos dos seus gloriosos atletas, o recorde do mundo dos 10000 metros por Mamede (com comentários dele, Lopes e Mamede e também de Artur Agostinho – outro grande sportinguista) e a esplêndida medalha de ouro da maratona olímpica por Lopes. 32 anos depois um tipo ainda se comove


Antes, nos anos 70, já as gentes de Moniz Pereira tinham encetado o grande sucesso – e como era relevante esse sucesso desportivo no país de então, tão mais acanhado, confuso e pobre. Aqui deixo memória da primeira vitória do Sporting na taça dos campeões europeus de corta-mato, em 1977. No dia seguinte de manhã baldei-me às aulas e fui esperar os atletas ao aeroporto – foi a única vez que fiz uma coisa dessas e também a única vez que pedi autógrafos (ao Lopes, ao Mamede, ao Aniceto Simões, ao Carlos Cabral). A gente ficava eufórica com estes triunfos “lá fora”.

 

E como nisto das glórias há sempre drama recordo quando todos, miúdos e graúdos, sofremos nos 10000 metros dos Jogos Olímpicos de Montreal, com a vitória do malvado finlandês Lasse Viren, o tipo que tratava o sangue, sobre o nosso campeão Lopes.

Tudo isto e tanto mais devemos ao Professor.

(N)Euro 2016 – A prova dos 11

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Hoje, dia final do Euro 2016, interessa muito pouco que o jogo contra a equipa da casa* confirme o que se sabe sobre Fernando Santos, ou seja, que é um treinador temeroso, que tem mais medo de perder que vontade de ganhar. Fernando Santos não é um resultadista no sentido habitual que se dá ao termo, é um homem racional cheio de fé, mostra-nos que isso pode existir, e, entende que a equipa que escolheu – aqueles 23 – não tem qualidade suficiente para ir para cima dos adversários e comê-los mas que pode esperá-los e adormecê-los em lume brando. Fernando Santos é um homem ponderado, mais reactivo que activo, um homem de fé inabalável que espera que o adversário se espalhe, tropece, erre, enquanto pela mesma razoável crença acredita que qualquer um dos seus pupilos em momento de inspiração eventualmente divina, mande a bola às couves e faça uma desfeita ao adversário. Portugal tem jogado pouco para a equipa que levou a França, mesmo contando que levou Éder, Eliseu, Vieirinha que não parecerem caberem no lote final, ou, por outras razões, André Gomes que joga a passo, que não defende, que não segura a bola e pouco realiza quando ataca, mas que tem um forte apoio mediático vá lá perceber-se porquê. Sobram, assim, 19 jogadores de maior qualidade, incluindo 2 guarda-redes que só foram fazer companhia a Rui Patrício, e que em melhor ou pior forma, são suficientemente bons para comparar a “equipa de todos nós” com qualquer outro dos contendores neste Euro 2016 que podendo ser o do nosso contentamento, não foi um torneio de qualidade superior como demonstraram a lenta Espanha, a Itália à procura de uma nova equipa com Conte numa tentativa de evolução do velho catenaccio, uma Inglaterra tão temida como miserável, a França a subir de produção mas ainda assim longe da qualidade de outras suas equipas e até a poderosa Alemanha, campeã do mundo em título, que se apresentou um pouco desequilibrada e com muitos dos seus jogadores cansados – agora diz-se mialgias de esforço e outras merdas assim. Certo é que, apesar de tudo, a Alemanha foi a melhor equipa até ser eliminada pelos “da casa” sem grande brilho mas com o Lopes Griezmann a espetar duas granadas ao pobre Neuer. As restantes equipas? Não me lixem, as melhores delas são banais apesar de correrem muito, muito, como a Islândia, ou de terem gajos de excelência como a croata com Modric ou Gales com Bale, e as piorzinhas não chegam a ser medíocres num claro excesso de boa vontade na apreciação. E Portugal no meio disto tudo tem os tais 19 jogadores que podiam jogar em qualquer uma das tais “melhores”. Patrício? Pode não ser tão bom como o Manuel Neuer ou como Peter Cech nem tão experiente como Buffon, mas, sempre que foi preciso, sacou bolas de golo (incluído o pénalti despesempatador) e defendeu a continuação de Portugal em França. Os putos Cédric e Raphael ou os veteranos Pepe, Carvalh0, Fonte ou mesmo o selvagem Bruno Alves mostraram estar ao nível dos melhores, Danilo é suficiente para o cargo, tem mais presença fisíca que William mas menos capacidade de jogar para a frente, passa para o lado ou para trás mas cobre bem e é para isso que Santos o quer. No meio do campo é uma pena Moutinho não ter pilhas frescas mas há Adrien, uma discreta carraça de aço que seca qualquer um que lhe apareça pela frente com a mesma disponibilidade com que Renato Sanches entra nos desafios e enquanto não lhe saltam os bofes pela boca. Se Renato não é, ainda, o que muita gente diz ser (perde posição constantemente e falha demasiados passes para aquilo que se exige), não há grandes dúvidas que transmite uma energia bem necessária a uma equipa que com Moutinho joga devagar quase parada. João Mário joga de pantufas de enorme classe e foi pena que Santos quisesse tirá-lo do lado certo, o direito, sacrificando o míudo na ala esquerda onde obviamente rende muito menos mas, apesar disso, bem mais que o tal rapaz Gomes, também a jogar do lado errado, o direito, mas que nem devia ter embarcado poupando-se dinheiro e o sacrifício de o ver arrastar-se pelos relvados. Depois há a redenção tardia de Quaresma, para mim o mais talentoso jogador dos últimos muitos anos, endiabrado mas penalizado pela inconstância, preterido segundo alguns por ser cigano, dispensado, ouvindo outros, porque não é eficaz e dado a fossanguices num jogo que se quer colectivo. De qualquer modo, mesmo com as suas características defensivas, há que tirar o chapéu a Fernando Santos, o único seleccionador que aposta no “Harry Potter” e lhe reconhece talento acima da média, mesmo que só o deixe à solta poucas vezes e nessas vezes poucos minutos. Mas o cigano adorado não volta a cara ao fado, ri-se, e finta os Paulo Bentos do Futebol (este um homem que não tendo o aparente receio de ganhar como a actual seleccionador, odeia essa coisa de predestinados preferindo carregadores de piano e gajos que não levantem a grimpa, como infelizmente  provou nos anos em que esteve no Sporting e mais tarde com a triste passagem pela Seleccção Nacional). Depois há Nani, não com os piques de outros tempos mas a cumprir a escolha com 3 golos já marcados, Rafa que foi até França em viagem de turismo, deu três toques na chincha e que bem podia ter entrado num ou noutro jogo e Cristiano Ronaldo. Deste que se pode dizer que não tenha sido dito? É um maçador, eis o que Cristiano é! Mesmo com mais de 60 jogos de alta competição por época, com uma ou outra lesão que possa cortar-lhe a forma quando mais precisamos dele, com tantos apedrejadores nacionais e internacionais, com Santos a dar-se ao luxo de o sacrificar tacticamente (partindo do basilar princípio que Portugal tem uma táctica definida para além da estratégia), vai o gajo e catapruz, marca com um calcanhar daqueles e uma cabeça daquelas e atira todos os microfones idiotas para o lago.

Dito isto espero que Portugal dê uma lição (com cabazada é que era!!!) aos palermas dos franceses, que o árbitro não incline o relvado do Stade de France e que a malta se lembre da Batalha do Vimeiro e tragam o caneco para casa!

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Lembrando outro seleccionador nacional, o bom gigante José Torres:

“Deixem-me sonhar!…”

 

*Leia-se França, numa técnica à Pinto da Costa que consiste em não nomear, desvalorizando, os que lhe fazem frente