Um amigo e o Knopfli

basta viver

Um amigo, de muito longe, lá no muito longe, mandou-me isto, num “li e lembrei-me de ti”. Respondo-lhe “vai-te foder, deste cabo de mim … Um beijo para ti”. Defendo-me aqui, através da imagem, pobre muralha …

O Livro Fechado

Quebrada a vara, fechei o livro 
e não será por incúria ou descuido 
que algumas páginas se reabram 
e os mesmos fantasmas me visitem. 
Fechei o livro, Senhor, fechei-o, 

mas os mortos e a sua memória, 
os vivos e sua presença podem mais 
que o álcool de todos os esquecimentos. 
Abjurado, recusei-o e cumpro, 
na gangrena do corpo que me coube, 

em lugar que lhe não compete, 
o dia a dia de um destino tolerado. 
Na raça de estranhos em que mudei, 
é entre estranhos da mesma raça 
que, dissimulado e obediente, o sofro. 

Aventureiro, ou não, servidor apenas 
de qualquer missão remota ao sol poente, 
em amanuense me tornei do horizonte 
severo e restrito que me não pertence, 
lavrador vergado sobre solo alheio 

onde não cai, nem vinga, desmobilizada, 
a sombra elíptica do guerreiro. 
Fechei o livro, calei todas as vozes, 
contas de longe cobradas em nada. 
Fale, somente, o silêncio que lhes sucede. 

Rui Knopfli, in “O Corpo de Atena”

Nassar e o Camões. E agora, que fazer com o Prémio?

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O grande Raduan Nassar ganhou o prémio Camões, um prémio literário atribuído pelos governos português e brasileiro. Discursou contra o actual poder de Brasília (transcrição do discurso aqui).

Depois falou o embaixador de Portugal no Brasil, Jorge Cabral. E depois o ministro da Cultura brasileiro. Imagens abaixo:

O ministro brasileiro teve a peculiar reacção (muito a la Alcazar/Tapioca) de discursar de seguida, contestando o premiado e os seus argumentos e invectivando as forças políticas apoiadas pelo premiado. Não é exactamente o costume destas cerimónias, os representantes do poder outorgam as medalhas e afins em tom protocolar. Pois nestes dias a palavra é dos premiados, goste-se ou não do que eles dizem, do que fazem, é essa a simbólica prerrogativa dos prémios em democracia. Mas este é apenas mais um pitoresco episódio a demonstrar os estranhos “usos e costumes” da política brasileira, como estrangeiro que sou abstenho-me de grandes comentários, para além deste e do esgar de desprezo.

Mas há uma outra dimensão, que tem a ver connosco, portugueses. O Prémio Camões é um prémio político. Não só porque é patrocinado pelos dois estados, Brasil e Portugal, que o instituíram no seio de uma política de engrandecimento da língua comum, destinado às literaturas em português. Mas fundamentalmente porque é gerido segundo critérios políticos (e administrativos, se se quiser). Há a tradição instituída de ser atribuído alternadamente a um escritor português e a um brasileiro, e de quando em vez, quando considerado necessário à sua sedimentação, a um escritor africano. Ou seja, o critério de mérito literário está subalternizado aos pressupostos políticos que o comandam, a consagração da zona comum moral e linguística, a dita “lusofonia”.

Sendo assim um prémio literário subordinado a questões políticas, e sendo um prémio bilateral (português e brasileiro), como entender e aceitar o aproveitamento político do governante brasileiro (concorde-se ou não com ele?) daquela ocasião? Que faz a nossa república ali a seu lado (simbolizada, como tal presente, no nosso embaixador)? Mas mais ainda, como vai a nossa república, o nosso governo, reagir ao total desaforo do ministro da cultura brasileiro, que explicitamente, em discurso oficial, reclama para o seu governo, para o seu país, a atribuição do prémio? Está dito, basta ouvir. Um total desprezo pela contraparte portuguesa, uma arrogância inaceitável.

Não se trata de fazer uma tempestade no copo de água. Trata-se, pura e simplesmente, de perceber que com parceiros deste quilate não há condições para conjugações. Ou seja, trata-se de suspender o prémio político-literário Camões. De ter um mínimo de auto-respeito.

 

Ler na escola

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Tive boas (não excelentes mas boas) notas a Português, no 10º/11º ano. Não estudava. Tinha uma vantagem: livros em casa, da família e meus. E lia-os. O que dava para flanar na escola. Naqueles 1979/1980 sofri de menosprezo enjoado quando levámos com “O monge de Císter” e o “O Bobo” de Herculano – que puto podia ter apreço por aquilo depois de uns anos antes ter passado por Walter Scott, Henryk Sienkiewicz, Dumas, Féval, Verne, Salgari, Karl May, etc.? E ao mesmo tempo irritei-me, mesmo, com Garrett (de tal maneira que nunca mais a ele voltei): já naquele tempo me parecia que só servia para nos afastar da leitura. E lembro-me de debater isso com os meus pais, que não deixavam de me dar razão.

40 anos depois está a minha filha no 10º ano, 14 anos: o professor britânico de inglês colocou-a a ler (trabalho de grupo) “The Great Gatsby” e tem que optar (trabalho individual) entre “1984” e (yes) “The Mystic Masseur”. O professor português de português colocou-a a ler “Frei Luís de Sousa” (80 páginas de primeiro acto, entre texto e imensos comentários!!!, resmunga ela. E eu) … A miúda vem do “O Nome da Rosa” e cai no “Frei Luís de Sousa” (e com dezenas de páginas de comentários!).

É assim que tem que se aprender a língua? E a interpretar textos literários? Os anglófonos estão completamente errados?

Guerra Junqueiro para hoje

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prosas-dispersas

Um tipo chega aos 50 e tal sem ter lido Guerra Junqueiro (1850-1923) e decide avançar pelas estantes dos avós e começa por isto (“Prosas Dispersas”, 1921), uma colecção de prosa propagandística, alguma com intuitos quase-ensaísticos, sobre Camões, Raul Brandão, Antero de Quental, outra de raiz mais perene, como a celebração da união luso-brasileira, coisas outras mesmo de época. Surpreende-me o tom, aquela grandiloquência, pomposa, hoje ridícula, tanto que me ocorre “mas afinal quem era este tipo?”, forma mais suave de resmungar “que raio é (foi) isto?”, tanto mesmo que até vou à “História da Literatura Portuguesa”, a célebre de Saraiva e Lopes (10ª edição, corrigida e actualizada), exemplar que marquei “Março de 1980”, no meu 10º ano portanto, porventura fechado desde Junho de 1981, como quase de certeza deve ter ocorrido, alheia que sempre foi a temática à minha vida. E nela já está aquilo do Nas poesias da fase estudantil já se revelam uma extrema facilidade improvisadora, a tendência as antíteses e encarecimentos oratórios, sobre temas da actualidade …, e o gosto da grandiloquência pretensamente visionária(1029). Coisas que pelos vistos carregou até à morte, enquanto foi sendo burocrata, político, até deputado. Dele dizem os autores “Junqueiro não pensa com finura” (1031) enquanto lembram que foi considerado em vida como o maior poeta português e até ibérico e vão avançando que foi bastante criticado após meados de XX, e decerto que também por isso apeada a sua leitura, isto julgo já eu.

Mas o interessante disto não é a leitura, que ainda que célere chega a ser penosa. É com ela alimentar as habilidades para se reconhecer o “junqueirismo” de hoje. Por um lado o quanto dos aclamados actuais não serão daqui a uns tempos (não)lidos como esta sumidade d’então passou a ser: “quem achas que é o Guerra Junqueiro d’hoje?”, um quizz para o FB ou para as revistas semanárias. Por outro lado, e bem mais interessante ainda que menos passatempo, é ver como o tonitruante assertivo e irreflexivo se manteve na tradição da palavra pública, ainda que com alguma actualização estilística. Nota-se isso (reconhece-se isso) ao ler textos que são verdadeiras pérolas, afinal não tão anacrónicas assim, dado que o seu sumo, ainda que não a forma, até parece de hoje. E como exemplo máximo disso os artiguitos de propaganda para a participação na I Guerra Mundial (“O monstro alemão”, “Edith Cavell”), esse projecto central do republicanismo, ao qual o poeta havia aderido. E cito, que é para comparar a “profundidade” com o tanto que se vai lendo hoje:

O misticismo militarista da Prussia é o imperativo categórico do orgulho barbaro e sem lei. O prussiano é o vandalo feroz, automatizado e arregimentado. O ciclone educou-se e converteu-se em maquina. … Arraza uma nação, ordenadamente, implacavelmente, com a certeza algebrica. Conquistar e devorar, eis o movel eterno, o instinto directo da brutalidade organica da Prussia. Devora, mas não assimila. A França conquistou a Alsacia e tornou-a francesa. Depois de a abater, guardou-a no coração. A Inglaterra conquistou o Transvaal iniquamente, mas, dando-lhe a liberdade, seduziu-o, cativou-lhe a alma (…) A Prussia, odiosa, invejosa e rancorosa, só domina, esmagando. Ou faz vitimas ou faz escravos.” (151-152)

Os guerreiros de Atila invenciveis, transpondo a Belgica livremente, em duas semanas esmagariam a França, conquistando Paris. Depois, em dois meses desbaratavam a Russia. Depois, o triunfo completo e vertiginoso, a humanidade nas garras da Alemanha, o mundo escravo de Berlim, o kaiser Imperador supremo do universo! (…) 

A avalanche teutonica, furiosa, inundou a Belgica. (…) As hordas barbaras, torrentes de ferro e fogo, avidas d’oiro e de conquista, assaltaram a França. O monstro da noite ia devorá-la, a doce França, a clara França gerada na luz, rainha da Ideia e da Beleza, senhora da Graça e da Harmonia. (…) Atila esquartejando a França, dominaria o mundo. Civilização, Justiça, Direito, palavras mortas. A Besta feroz omnipotente, e o genero humano escravo e desonrado. A noite da historia. O Anticristo venceria Jesus. (…) O genio latino ia apagar-se“. (165-166)

O Americano Tranquilo

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Hoje começa Trump. Antes vi imensos compatriotas, verdadeiramente desvanecidos, partilhando o discurso de encerramento da presidência de Obama. E a este tecendo loas. E lembro-me do “The Quiet American” de Graham Greene, meu livro de vida desde a adolescência. Por mim porque logo à primeira leitura me entrevi, tanto me identifiquei com o protagonista, aquele Fowler, algo que sempre se foi repetindo ao longo da vida, nas várias vezes que ao livro regressei. Nessas surpreendendo-me, naquilo de me interrogar “como pude, miúdo, rever-me em tanta idade desiludida?”. Mas indo para além do meu mais mim mesmo, ficou-me sempre a ideia da perigosa malevolência da candura convencida, arrasadora das rugas do real, desconhecedora da história d’agora e anterior, de que fica para sempre símbolo este Pyle, o americano tranquilizado pela sua crença, agente de “terceiras forças” que dele julga serem aparentes criaturas como se fiéis aos “valores” da mundivisão, da “correcção” inquestionável de que  se julga paladino. Mas que são, sabia-o Fowler, sabiam-no todos os outros, muito mais do que isso. E agora, hoje, tão símbolo da Pylnesca era Obama. Tão menos louvável do que esta onda de pensamento “lite” de obamamania, escrava da propaganda “cool”, nos quer fazer crer. E, também por isso, deixando este assustador legado, o “trumping” que aí vem.

Deste “The Quiet American”, deste livro da minha vida, digo sempre, como pai europeu, que deveria ser leitura obrigatória aos nossos filhos europeus.

A lucidez

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Nisto de arrumar as estantes estou a congregar os Coetzees e, distraído, o polegar direito abre o Disgrace paperback, mostra-me a primeira página e sorrio neste começo “For a man of his age, fifty-two, divorced, he has, to his mind, solved the problema of sex rather well.” … e depois haverá a história para contar o como, que é, sei-o, um afinal não. Recuo para ver de quando me é o livro, e lá está a minha marca “Nelspruit abril 2000”, e sei, pois o lembro, que logo de regresso o li, avassalador já então. E se se apresenta assim, como se a mim ecoando neste hoje-em-dia, tenho que o reviver, como será que neste agora reagirei àquela devassa da degenerescência, descarnando a alma até ao seu pobre osso? Percebo que o li ainda menino, menino de 35, como podia eu atingir, se naquele antes do Maio de 2002, ainda pobre órfão de filha, “From the day his daughter was born he has felt for her nothing but the most spontaneous, most unstinting love. Impossible she has unware of it. Has it been too much, that love? Has she found it a burden? Has it pressed down on her? Has she given it a darker reading?”.

A David pedem-lhe, exigem-lhe e mostram-lhe, até a filha, mais do que todos a própria filha lhe exige e o mostra, que se arrependa do ser, que se penitencie do ser, que desista do ser, tal como os que o rodeiam desistem e disso fazem vida e gala. No fim, professor indocente, apenas um cão vadio, abandonado e condenado, o ouve, nos seus até dementes desafinos de banjo infantil, onde já des-tenta compor um libreto,  seu pobre simulacro de actividade, de humanidade, para o qual não tem, e sabe-o, talento, assunto e perseverança. E só ele pode salvar esse seu único ouvinte. Bev, cujo desesperado amor ao mundo se concentra na eutanásia canina, dá-lhe o arremedo da salvação própria, quer ele poupar o rafeiro, a sua audiência, ou é para o abater?, “are you giving him up?”.

Yes, I am giving him up.”, termina ele.

Coetzee é o cume da lucidez. E esta é o verdadeiro horror.

Mozambique e Dylan e vice-versa

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Continua o affaire-Dylan, os adeptos e os adversos. O debate segue entre os grão-leitores (por exemplo  aqui vs aqui). Mas também entre nós, os algo-leitores, e entre os quase-nada-leitores. Pois opinar sobre prémios literários é reclamar uma condição “lectural” (aqui  falta-nos mesmo o termo, que “leitora” não me chega, apesar da tradição universitária). E opinar sobre o Nobel literário é também um culto, distraído, como se o prémio Nobel fosse mesmo o barómetro do cânone, pudesse ungir, e como tal surja universal, “nosso”.

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“Água”, o novo livro de João Paulo Borges Coelho

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[Apresentação a 12 de Julho (terça-feira), às 18h30, na Buchholz, em Lisboa]

Num país (ou numa era?) feito de azedumes um elogio a alguém arrisca sempre a suspeição de integrar alguma indirecta malvadez a outrem. Não é nem nunca foi este meu caso. Há mais de uma década, desde que fiquei maravilhado com o magnífico “As Duas Sombras do Rio“, o primeiro romance de João Paulo Borges Coelho, que me vou repetindo em cada nova conversa, e tanto que até já extravasei o meu lugar de antropólogo e me botei a escrever uma comunicação sobre o autor [“JPBC: uma geologia ética de Moçambique“].

Repito-me nesta minha opinião, de arrogância maximalista. A de que este autor é, mas de muito longe, a mais interessante, enleante e competente escrita ficcional em português radicada em (sobre) África, o que digo sem o querer acantonar em qualquer “african way of writing” ou qualquer coisa com isso parecido. Tramas romanescas estruturadas, próprias de quem é autor com muita leitura (o que não é regra nesse universo, nem nada que se pareça), é logo algo que o aparta de grande parte desse “meio literário”. Mas há nele muito mais do que isso, uma ficção que ecoa uma análise profunda, complexa, até programática – mas nada a la carte – da sociedade moçambicana, da sua ambivalência, e, por isso, do mundo e dos destinos que este encerra.

Nas personagens e nas temáticas não há ponta desse exotismo, tão populista, que enche páginas de tantos autores africanos, oriundos ou, apenas, austro-cultores, embrulhando boas causas muito de moda. E muito menos no modo que escolhe como seu, tanto que sempre pensei que esse depurar formal, esse “classicismo”, é nele  não só uma opção estilística, ou uma “voz” congénita, mas mais uma modalidade de recusa total do tal exotismo, do facilitismo de modos, estilos, temas e ideologias que inundam a literatura afro-centrada. Essa que é radicalmente equivalente àquelas pinturas de ocres e similares, quadros “para turistas” que preenchem as lojas de “curios” dos aeroportos e as paredes de turistas.

Disso resultante é que a sua constante produção literária vai desaparecendo dos escaparates portugueses, mais atreitos à ganga que o mercado da “saudade” – a nostalgia colonial, a nostalgia militante, a nostalgia cooperante, a nostalgia expatriada, a nostalgia turística – vai consumindo, em busca de uma “África” livresca que nada mais é do que o eco da ileitura desses tresleitores.

Digo isto crente que o jpbc segue mergulhado, como sempre, nas suas múltiplas aventuras intelectuais, literárias e outras, sem angústias com esse relativo silêncio que os seus livros vão recebendo (imenso, face ao mérito que têm). Sou eu mesmo, fan, que me arrepelo com isso. É por isso mesmo que continuo a blogar a cada um dos seus livros. A ver se alerto pelo menos uma pessoa a arrancar um dos escaparates (ou das estantes alheias) e a lê-lo.

Na próxima terça-feira, em Lisboa, apresenta-se o próximo. É uma hipótese. Cheguem-se à frente …

O estado das artes

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O congresso do Partido Socialista diz muito sobre os fregueses presentes:

Assobia-se Francisco Assis por ser uma voz discordante, um baldas à antiga moda da voz única inspirada pelos parceiros apoiantes do governo de António Costa, ao mesmo tempo que aplaude Sócrates. Sempre bom e sem recorrer a fármacos, lembrar a cumplicidade – cumplicidade política, note-se – entre Sócrates e Costa (o último foi o sempre leal nº2 do primeiro e que vai fazendo a barrela da roupa suja do ex-chefe devagar mas sempre).

 

Mudando para outro campo artístico que almas de moral desviante quererão relacionar com o tema acima, tomo a liberdade de sugerir um livrinho sempre actual com a simples mudança das moscas, mantendo-se em permanência o monturo onde gostam de poisar:

Arte_de_Furtar,_atribuída_ao_Padre_António_Vieira,_1744

“A Arte de Furtar – Espelho de Enganos, Teatro de Verdades, Mostradores de Horas Minguadas, Gazua Geral dos Reinos de Portugal”, obra primeiramente atribuída ao Pe António Vieira , depois a uns quantos autores e mais recentemente ao também jesuíta Pe. Manuel Lopes. Quem quer que tenha escrito “A Arte de Furtar”, deixou um verdadeiro manual sobre os (maus) costumes desta gasta Pátria.

Rodrigues dos Santos e a história das ideias políticas

Muito salutar a intervencão de José Rodrigues dos Santos sobre as ligacões intelectuais entre o marxismo e o fascismo. Por sua causa vejo mais opiniões portuguesas sobre a história das ideias políticas do que alguma vez havia visto. O seu texto no Público de ontem é muito interessante: comprova a sua tese com as provas que apresentou nos seus romances. Com as suas perspectivas, ainda para mais argumentadas desta forma, JRS sai dos múltiplos cânones que afronta,

 

ainda bem que não é careca.