O CDS perdeu a cabeça

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Já não bastavam os elogios ao MPLA, muitíssimo mais vigorosos, coisa  como se de cristãos-novos, do que os praticados pelos outros partidos portugueses, e basta compará-los com o distanciamento retórico com que o PCP vem enquadrando a sua ligação histórica ao poder angolano.

E logo de seguida aparece o cartaz com uma Assunção Cristas algo dengosa, um despropósito apatetado. Pasto para os oponentes, claro. Por todo o lado surgem os remoques, e os aplausos informáticos. A turba delicia-se, até justificadamente. Mas, como é próprio dela própria, pois turba, vai desmemoriada, irreflectida. E nisso aplaude os vis apparatchiki que surgem agora gozando a tentativa de erotização da liderança demo-cristã. Esses mesmos que passaram anos servindo(-se) deste “animal feroz”. Este que, decerto que também por instruções de uma qualquer agência de comunicação, se fazia fotografar imerso em mulheres embevecidas, estas como se aspergidas da sua máscula energia, até semenizadas por osmose. Um cume da erotização do poder. Nenhum remoque se ouviu então vindo destes (seus) serviçais. Que agora se meneiam em “bocas”.

O CDS perdeu o tino? Parece que sim. A gente deve gozar, patear, apupar. Sim. Mas isso não é sinónimo de aplaudir (“gostar” que seja) estes gozadores d’agora, a desavergonhada tropa socratista, por acerada que lhe seja a retórica. Esta gente não se aplaude. Lapida-se.

A Portela

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Delgado foi um nazi tardio, a ala mais nazi do Estado Novo. Nesse estatuto, e na cooptação por Salazar dos mais direitistas quase exo-regime, anos após a exclusão dos “camisas negras” de Rolão Preto, foi colocado (amansado) na avião civil. Passados anos foi para os EUA. Aí terá sido de novo cooptado, visto como integrável no pacote de generais que os americanos da época agregavam para gerir países latinos (e asiáticos). Acalentou depois um projecto de poder pessoal, “caudillhista”, conjunturalmente associado à oposição democrática mas que em pouco ou nada a corporizava (foi muito menos um De Gaulle luso do que um qualquer Tapioca sul-americano – como o comprovam as difíceis relações que teve com os oposicionistas até ao seu assassinato). A mitologia portuguesa precisou dele para simbolizar o “antifascismo” (e razões daquela época desvalorizaram Norton de Matos, esse muito mais associável a um gaullismo à portuguesa, apesar dele próprio). A historiografia portuguesa cede às pressões mitográficas (leiam-se as impressionistas e autobiográficas páginas que lhe dedicou João Medina na vastíssima História de Portugal de fins de XX). O PS, típico, conspurca a Portela metendo-lhe o nome do general. O aeroporto da minha cidade leva agora, em 2016, por rasteira ignorância e demagogia do poder actual, o nome de um asqueroso admirador de Hitler.

Primeira-dama?

Tantos incomodados com o plágio que a mulher de Trump fez da mulher de Obama. Todos eles plagiadores da imbecil, reaccionária ideia americana de que interessa o que os cônjuges dos políticos dizem e, alguns, até da patetíssima (e ilegal, entre nós) ideia de que há “primeiras-damas”. Como se dizia quando eu era novo “se o plágio pagasse imposto …” não era a Trump a pagar o maior.

FMIs

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Em 2013 comecei a escrever num blog colectivo português, belo conjunto e muito lido. Uma amiga, e também blogoleitora, saudou isso enviando-me este “ex-voto”, descoberto no seu sótão. Servia para me lembrar que não me pusesse eu a opinar sobre política portuguesa, matéria que, dizia-me e ainda diz a experiência, rapidamente me transforma em delinquente, tamanho o azedume face à “gasta pátria”. Vinha este “ex-voto” para lembrar tempos outros, também de FMIs e instâncias similares. Frisando que, ao contrário de muitas vozes actuais, mais ou muito menos mediáticas, políticas ou privadas, também em Portugal – e em tantas outras austrais paragens – o FMI não foi nem quis ser o coveiro da democracia.

E servia também para recordar tempos, não muito longínquos, em que os protagonistas políticos, e mesmo que apesar deles-próprios, eram algo maiores do que agora. Talvez como que a querer matizar as paixões que agora lhes devotamos, os que devotos vão.

E acho que é melhorar recuperar este aviso, agora neste novo “diário de bordo” (aka weblog).

O dia de Portugal

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Esta coisa de ser Português não é fácil, como bem se sabe. Celebrar o 10 de Junho é, muitas vezes, imbecilmente conotado com fascismos, ditadura, reaccionarismo,  misturando a Política do momento, mais baixa que alta, com o pobre país quando é esse e só que deve ser celebrado. Pois hoje o Presidente Marcelo deixou de lado os zurros que se sabe, ou pelo menos se espera, não chegarem ao céu, e resolveu e bem, honrar aqueles “…que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”. Alguma pompa adequada à circunstância de novo no velho Terreiro do Paço, com a briosa “Sagres” fundeada em frente do Cais das Colunas e aviões a jacto cuja velocidade de sobrevôo foi motivo de interesse e singular destaque para a RTP, e merecida mesmo que tardia, salva de 21 tiros pelos que combateram e tombaram pela Pátria, num cerimonial que talvez por vergonha da História ou por  outra limitação qualquer, dali tem andado arredio nos últimos 42 anos.  Marcelo fez o que deve ser feito sem merdas e sem tiques, e, distinguindo alguns sobrevivos honrou todos os mortos  da Guerra Colonial, lembrando sem o dizer que os Portugueses que contra os canhões e canhangulos marcharam e tombaram, continuam a precisar de apoio e reconhecimento, e foi bom ver o Comendador José Arruda – da Associação dos Deficientes das Forças Armadas – entre um abraço, agradecer as palavras do Presidente.

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Marcelo não se ficou pelas honras militares – condecorou 6 militares, 3 que fizeram a GC e 3 ainda no activo – e gabou. se calhar hiperbolicamente, as capacidades e valor do Povo, esse que ainda somos nós e que é o dele, e, antes de apanhar o avião para ir a Paris repartir as comemorações com os emigrantes – não esquecer que o 10 de Junho é dia de Portugal mas também do pobre e zarolho Camões e das Comunidades – desferiu um  vigoroso pontapé no cú a muito “boa” gente, que, se tivesse um pingo de vergonha, enfiava uma opaca carapuça disfarçando muito facilmente o rubor facial pelo achincalho público. Mas só os que souberem o que é vergonha, note-se. Já agora e pode não passar de uma impressão mas pareceu-me que estavam alguns dos agraciados com a biqueirada presidencial ali pelo palanque VIP. Disse (-lhes) assim o PR:

“Foi o povo, a arraia miuda, quem nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo. O povo, sempre o povo, a lutar por Portugal. Mesmo quando algumas elites – ou melhor, as que como tal se julgavam – nos falharam, em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, meros ouropéis luzidios, de autocontemplações deslumbradas ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e de decidir com visão e sem preconceitos”

 

Num registo mais mundano das comemorações oficiais do 10 de Junho, notou-se mais uma vez esta nova e miserável moda de ministros, secretários de Estado e outros “altos dignitários, se oscularem a cada chegada de uns e de outros como se fossem almoçar “lá a casa”. A este nefando hábito, alguns dos atavios com que se apresentam, nomeadamente as senhoras, deveriam ser revistos porque o Estado, embora não muito melhor, não é  um pronto-a-vestir  da Rua dos Fanqueiros. Ainda hoje a ministra da Modernização Administrativa, ou não se tratasse de uma moderna, se apresentou, mais uma vez, com um vestidinho mais apropriado para o baptizado da sobrinha que para honrar, comemorando, a ditosa Pátria sua amada. É um tu-cá-tu-lá com os cargos públicos a que nem a Exma Senhora D. Lili Caneças se atreveria. É tudo casaquinho pelas costas.

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Em qualquer caso, como lembrou Marcelo,”somos Portugueses, como sempre triunfaremos”

O estado das artes

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O congresso do Partido Socialista diz muito sobre os fregueses presentes:

Assobia-se Francisco Assis por ser uma voz discordante, um baldas à antiga moda da voz única inspirada pelos parceiros apoiantes do governo de António Costa, ao mesmo tempo que aplaude Sócrates. Sempre bom e sem recorrer a fármacos, lembrar a cumplicidade – cumplicidade política, note-se – entre Sócrates e Costa (o último foi o sempre leal nº2 do primeiro e que vai fazendo a barrela da roupa suja do ex-chefe devagar mas sempre).

 

Mudando para outro campo artístico que almas de moral desviante quererão relacionar com o tema acima, tomo a liberdade de sugerir um livrinho sempre actual com a simples mudança das moscas, mantendo-se em permanência o monturo onde gostam de poisar:

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“A Arte de Furtar – Espelho de Enganos, Teatro de Verdades, Mostradores de Horas Minguadas, Gazua Geral dos Reinos de Portugal”, obra primeiramente atribuída ao Pe António Vieira , depois a uns quantos autores e mais recentemente ao também jesuíta Pe. Manuel Lopes. Quem quer que tenha escrito “A Arte de Furtar”, deixou um verdadeiro manual sobre os (maus) costumes desta gasta Pátria.

Por um monumento ao “Senhor do Adeus”

Em Lisboa uma grande manifestação popular de cariz social-democrata – exigindo que o Estado financie, estrutural e continuadamente, empresas que prestam serviços sociais – colhe o apoio fervoroso da “direita” demo-cristã ou liberal e é iradamente abominada pela “esquerda” social-democrata ou social-democrata libertária. Ao mesmo tempo José Manuel Fernandes, jornalista por uns verberado de (extrema)direita, e Vital Moreira, constitucionalista ex-comunista, recente candidato do PS de José Sócrates e próximo deste executivo, coincidem no diagnóstico sobre a perfídia da resolução governamental, a la corporativismo, da greve dos estivadores de Lisboa, o primeiro grande conflito laboral que este governo (a agora por todos dita “geringonça”) teve que resolver.

Entretanto surge a proposta de um monumento ao “Senhor do Adeus”. Mais do necessário, é obrigatório. Pois não há dúvida, precisamos da inspiração de um excêntrico.

Velho e saudoso

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Amiga próxima acaba de me enviar, por email, um convite para irmos a esta reunião (daqui a bocado) contra o “impedimento” à ex-presidente Roussef. Conhece-me muito bem, sabe do que penso sobre a metastização do partido sindicalista ascendido ao poder e da repugnância que sinto sobre os seus partidos “aliados” e “oponentes”, essa coalizão tétrica que recentemente modificou o poder naquele país. Como tal não achou descabido chamar-me para esta sessão e, se calhar, até nem se enganou.

Mas o que me é relevante (interesso-me muito mais por Portugal do que pelo Brasil) é o manifesto que acompanha a convocatória à sessão, assinado por gente da esquerda portuguesa (com o muito respeitável Pacheco Pereira e o insuportável Araújo Pereira ou seja, entre o PSD social-democrata e o auto-definido comunista, até às irmãs Mortágua).

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“Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz?”

mesquita mouraria

Cada vez mais estupefacto com a “pátria amada”: descubro aqui que a Câmara Municipal de Lisboa (Costa, Medina & Salgado) vai construir um templo (via google encontro que gastará 3 milhões de euros no complexo que a integrará). É uma afronta. Isto raia o insuportável, esta amálgama cúmplice de decisores e de corporações do funcionalismo público – e, sim, neste caso pior que tudo é o eixo “trabalhadores intelectuais-multiculturalistas”, que em troca do sonho de um “Mercedes Benz” (empregozito, projecto, subsídio, assessoria, comentarismo avulso, venha lá o que vier) tudo apoia.

Só me ocorre o título daquele primeiro livro assinado como Vernon Sullivan. Espero viver o suficiente para isso.

Adenda: eu não quero mesmo confundir nem que confundam a minha total aversão a quem pensa, decide, projecta, executa e, mais do que tudo, permite uma coisa destas com qualquer aversão a imigrantes (eu fui imigrante durante 18 anos, e ainda para mais num país onde os meus antepassados foram colonizadores, raisparta, como posso eu ser anti-imigrantes?, só se fosse (ainda mais) parvo). Nem contra qualquer religião em particular, neste caso o islão.

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